A Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) deu esta quarta-feira um mês ao Governo para negociar a aplicação do horário de 35 horas a todos os trabalhadores da Administração Pública, sob pena de convocar uma greve de cinco horas semanais.

A FESAP congratulou-se, numa nota de imprensa, com a aprovação na especialidade do projeto de lei que repõe as 35 horas de trabalho semanal aos funcionários públicos, mas manifestou reservas relativamente à forma como o novo diploma será aplicado, porque defende que este horário deve vigorar a partir de 1 de junho para todos os trabalhadores que desempenham funções nos serviços públicos, independentemente da natureza do seu vínculo.

O dirigente da FESAP José Abraão disse à agência Lusa que "o Governo tem de negociar com os sindicatos as condições de aplicação das 35 horas de trabalho semanal a todos os trabalhadores da Função Pública até 1 de julho".

Para nós, não é admissível que cerca de 40 mil trabalhadores, com contratos individuais de trabalho, continuem a trabalhar 40 horas por semana. Por isso, estamos a pensar emitir um pré-aviso de greve para vigorar ao longo do mês de julho, que incidirá sobre a primeira ou as últimas horas de trabalho, de modo a que ninguém tenha de cumprir mais de 35 horas por semana", afirmou.

O diploma aprovado no parlamento prevê a negociação com os sindicatos das situações de exceção, por necessidade dos serviços, que vão manter por mais algum tempo as 40 horas de trabalho semanal, mas não prevê a aplicação das 35 horas aos contratos individuais de trabalho.

A FESAP está a apostar na negociação, nomeadamente com o Ministério da Saúde, de acordos coletivos de trabalho que garantam a aplicação das 35 horas aos trabalhadores em regime de contrato individual de trabalho.