A Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) pediu na terça-feira uma reunião urgente ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, para debater a situação no Metropolitano de Lisboa, disse hoje fonte sindical.

“A administração [da Transportes de Lisboa – ‘holding’ que integra a Carris e o Metro] está com uma atitude definida de criar problemas neste novo quadro político. Já pedimos uma reunião com urgência ao ministro da tutela", disse José Manuel Oliveira, coordenador da FECTRANS.

O sindicalista falava à Lusa a propósito das greves no Metropolitano de Lisboa agendadas para dias 09, 10 e 11 de dezembro.

Segundo José Manuel Oliveira em causa está a atuação da administração da empresa, que é de “permanente confronto e conflito com os trabalhadores”.

“Situação que no Metro veio a agravar-se após as eleições de 04 de outubro que, numa linha de um processo de privatização em curso, se pretendeu proceder a um conjunto de alterações que prejudicam os trabalhadores”, frisou.

No entanto, o sindicalista disse que, mesmo após a nomeação do novo Governo e no cenário de reversão daquele processo, “continua o confronto com os trabalhadores” e exemplificou com as recentes propostas de revisão do Acordo de Empresa (AE).

Para José Manuel Oliveira, a “solução é simples: cumpre-se o AE e as greves são anuladas”.

Num comunicado enviado à Lusa, o Sindicato dos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa disse que estas são o “início de uma série de greves marcadas pelos maquinistas”.

“Estas greves foram marcadas face à intransigência e à recusa de diálogo” do presidente do conselho de administração, lê-se no texto, que acrescenta que as greves só se irão realizar “caso a empresa continue a querer impor um modelo que claramente pretende colocar os maquinistas uns contra os outros”.

A greve é de três horas no início de cada serviço dos maquinistas, o que, na prática, implica a abertura do Metro com um atraso de três horas e perturbações na circulação de comboios até cerca das 20:00.

Para este mês estão também marcadas greves às horas extraordinárias na CP, na CP Carga e na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), no âmbito de uma luta que estas empresas já iniciaram há mais de um ano.

“Há um empolamento muito grande em relação à questão da CP. Esta greve dura há mais de um ano” e deve-se a “não se estar a pagar o trabalho extraordinário de acordo com aquilo que é a contratação coletiva. Não tem nada de novo”, disse José Manuel Fernandes.

Na CP há um pré-aviso de greve ao trabalho extraordinário, em dia de descanso semanal e em dia feriado, de 01 de dezembro a 02 de janeiro.

Na STCP estão agendadas greves para os dias 08 e 25 de dezembro.

“Há um ano que faz greve em dias feriados para protestar contra os cortes efetuados pelo anterior Governo”, explicou o sindicalista Mário Ramos.