A Federação de Sindicatos de Transportes (Fectrans) anunciou, esta segunda-feira, que foi cancelada a greve na CP Carga convocada para quinta-feira, para contestar a privatização da empresa, entretanto concretizada, mantendo-se contudo o protesto agendado para o mesmo dia.

Tendo em conta que na passada quarta-feira foi formalizada a venda de 95% da transportadora ferroviária de mercadorias ao grupo suíço MSC, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário decidiu suspender a greve, porque "o conflito laboral não é com o atual patrão", e manter a ação de protesto na forma de cordão humano.

"O ministro cedeu no sentido contrário dos interesses da ferrovia e do País, pelo que desde o passado dia 20 mudou-se o estatuto jurídico da CP Carga que agora é uma empresa privada", constata em comunicado a Fectrans (CGTP-IN).

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário convocou a greve na CP Carga para dia 28 de janeiro, para os trabalhadores poderem participar numa ação de luta contra a privatização da empresa de transporte de mercadorias.

A concentração dos trabalhadores começa às 10:30 em frente à sede da CP Carga, na Avenida da República, seguindo-se depois a deslocação até ao Tribunal de Contas e, por fim, ao Ministério do Planeamento e Infraestruturas (que tem a tutela da empresa de transporte ferroviário), na presidência do Conselho de Ministros, na rua Gomes Teixeira.

O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou na semana passada que o Governo não equacionou a reversão do processo de privatização da CP Carga, realçando que a empresa de transporte de mercadorias tem acumulado défices operacionais.

"A situação [da CP Carga] era de manutenção de défices operacionais e seria uma realidade se não fosse feita qualquer evolução futura", afirmou o governante na comissão de Economia, no dia em que foi concluída a venda de 95% do capital da CP Carga à operadora ferroviária suíça MSC.