Os 4,5% de taxa de juro referidos pelo ministro Rui Machete para Portugal voltar aos mercados, evitando um segundo resgate «não está longe da realidade» do ponto de vista técnico, disse esta quinta-feira o presidente da APB, Faria de Oliveira.

«Falar em números exatos ou aproximados é sempre suscetível de ter interpretações de várias naturezas. Do ponto de vista técnico, um número próximo desse é capaz de não andar próximo da realidade, do ponto de vista político não quero comentar», disse o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), comentando os 4,5% de taxa de juro limite referida pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Apesar de evitar comentar o impacto das declarações de Machete, Faria de Oliveira, que falava à margem do Congresso das Comunicações, em Lisboa, disse acreditar que «não vão prejudicar Portugal».

Rui Machete afirmou no domingo, na Índia, que um segundo resgate «é evitável» desde que as taxas de juro a 10 anos igualem ou fiquem abaixo dos 4,5%. No entanto, na segunda-feira, em novas declarações, o ministro de Estado e de Negócios Estrangeiros disse que referiu apenas «indicativamente e como mera hipótese» um juro de 4,5% para evitar um segundo resgate e que esse limite será determinado pelo Governo.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, vieram entretanto dizer que «não há números mágicos» de juros da dívida que dirão se Portugal está capaz de regressar aos mercados. Também o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal fez na quarta-feira afirmações no mesmo sentido.