O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando Faria de Oliveira, considerou esta sexta-feira, após uma reunião com a ministra das Finanças e o ministro da Economia, em Lisboa, que o balanço dos bancos portugueses é sólido.

«O nível de capitalização dos bancos permite absorver estes prejuízos», comentou o banqueiro, em declarações à TVI, considerando que não há motivos para alarme face aos prejuízos que grandes bancos portugueses, como o BES ou a CGD, apresentaram nos primeiros nove meses do ano.

«O próximo ano também, provavelmente, será um ano difícil», admitiu o presidente da APB.

«A nossa antevisão é que, à medida que se desenvolveu a desalavancagem, isto é, o desendividamento, do setor bancário. À medida em que se registaram já estas perdas e os bancos provisionaram com vista já a eventuais perdas futuras, o balanço dos bancos está sólido», realçou Faria de Oliveira.

Os líderes dos principais bancos a operar em Portugal reuniram-se hoje com a ministra das Finanças e o ministro da Economia, conforme tinha avançado na quinta-feira a Lusa junto de fontes do setor financeiro e fontes governamentais.

Na reunião, que se realizou no Ministério das Finanças e serviu para fazer «um ponto de situação do setor», segundo as mesmas fontes, estiveram presentes, para reunir com Maria Luís Albuquerque e António Pires de Lima, representantes dos principais bancos a operar em Portugal.

O encontro surge depois de na passada quarta-feira, dia 23 de outubro, o Banco Central Europeu (BCE) ter anunciado que vai sujeitar, a partir de novembro, quatro bancos portugueses - BPI, BCP, CGD e Grupo Espírito Santo - aos primeiros testes de stress da instituição.

O BCE vai exigir aos bancos europeus um rácio de capital mínimo de 8% nos testes de stress que vai realizar antes de assumir a supervisão bancária única em 2014.

O BCE vai começar em novembro a realizar várias avaliações a 130 bancos de 18 Estados-membros, cobrindo cerca de 85% dos ativos do sistema bancário da zona euro. Em Portugal, serão quatro os bancos avaliados - BPI, BCP, CGD e Grupo Espírito Santo ¿ numa avaliação conjunta com o Banco de Portugal, que seguirá as regras definidas pelo BCE, escreve a a Lusa.