Fernando Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, considerou que se as “iniciativas legislativas dirigidas ao setor bancário que se encontram a ser discutidas na Assembleia da República” forem aprovadas isso representará “um agravamento de encargos para os bancos” e ameaçará “seriamente a estabilidade do sector”. 

Na conferência TVI/Associação Portuguesa de Bancos (APB), “O presente e o futuro do setor bancário”, que decorre esta terça-feira em Lisboa, Faria de Oliveira afirmou que “as iniciativas legislativas dirigidas ao setor bancário que se encontram a ser discutidas na Assembleia da República são o exemplo óbvio do caminho que não pode ser seguido se queremos ter sucesso na questão da rentabilidade e no reforço da solidez da banca”.

“Tais medidas, se aprovadas, representariam um agravamento de encargos para os bancos e ameaçariam seriamente a estabilidade do sector”.

O presidente da APB falou ainda assumidamente da questão do “banco mau” e afirmou que o problema do “crédito malparado não é um problema exclusivo de Portugal”.

“Segundo o relatório do FMI de 15 de dezembro de 2015, na União Europeia atinge mais de 900 mil milhões de euros e em Portugal 18 mil milhões, pouco menos de 2% do total equivalente à dimensão de Portugal na União Europeia.”. 

 “A banca reflete sempre o estado da economia”

O presidente da APB afirmou ainda que “a banca reflete sempre o estado da economia e o seu desempenho depende do comportamento da economia”. 

Numa altura em que “a situação da banca é um legado da crise da dívida soberana e de um ciclo económico negativo novo”, Faria de Oliveira diz que é essencial recuperar a rentabilidade e reforçar a solidez.

São vários os desafios que o setor terá de superar. O primeiro: recuperação da rentabilidade e reforço da solidez. São os dois desafios mais prementes do sector. Estas duas questões estão aliás estreitamente interligadas”.

Para Faria de Oliveira, “a superação do desafio da rentabilidade depende fortemente da capacidade dos bancos aumentarem o volume de crédito concedido”, situação que se encontra limitada porque “a procura de crédito solvente é ainda escassa”.

A banca nacional está hoje plenamente preparada e sem restrições de liquidez para conceder créditos a empresas que cumpram os requisitos para o obter. Os problemas que enfrentamos, ao contrário do interesse dos bancos, é que a procura de crédito solvente é ainda escassa”.

E deixou ainda um aviso. “O modelo de negócio da banca, como o conhecemos hoje, sofrerá profundas alterações nos próximos anos e será inevitável que todo este contexto de profunda mudança traga alterações na estrutura do setor bancário europeu.”

Até porque “o contexto mudou muito e o paradigma é outro”.