A Associação Portuguesa de Bancos admite apoiar a nacionalização do Novo Banco se o Estado assumir custos. "Não teríamos nada a objetar. Vejo é muita dificuldade que possa acontecer", afirma o presidente da APB, Faria de Oliveira, uma entrevista ao "Jornal de Negócios". Um cenário que o próprio primeiro-ministro não exclui

O banco atualmente liderado por Eduardo Stock da Cunha ficar sob a esfera pública é uma "possibilidade", nas palavras de Faria de Oliveira, embora tenha "muitas dúvidas" que tal acontecesse no quadro vigente.

"Mesmo sendo banco de transição, para ser nacionalizado tinha de ter uma resolução. Isso traz problemas. A não ser que haja uma negociação política e que, por razões de interesse nacional, seja possível um waiver (dispensa, em relação à obrigação de venda)"

Sobre se a banca poderia apoiar, o presidente da APB diz que isso foi feito em Inglaterra. "O Estado nacionalizou bancos, está a procurar reestruturá-los e rentabilizá-los para vender". Como o banco de transição tem atualmente um limite de cinco anos de vida, "se houvesse capacidade negocial", era eventualmente uma possibilidade". 

Já quanto à Caixa Geral de Depósitos, que precisa de reforçar capital, o líder da APB defende que o Estado injete dinheiro no banco público. Isto apesar de a injeção de dinheiro público num banco ser considerada ajuda de Estado, o que vai contra a Direção-Geral de Concorrência da União Europeia, segundo uma diretiva da resolução e recuperação bancária, transposta para a lei nacional no ano passado. Quanto isso acontece, e se vai contra aquela regra, a consequência imediata é a resolução bancária. Foi o que, de resto, aconteceu com o Banif recentemente.

Faria de Oliveira apoia ajustamentos ao modelo de supervisão, entre eles precisamente a saída da resolução bancária do Banco de Portugal. Na mesma entrevista, sai em defesa do governador Carlos Costa, mostrando-se "perplexo" com o tratamento público que lhe é dado. A propósito do Novo Banco, o responsável pela supervisão da banca indicou na sexta-feira passada que se a instituição não for vendida até 2017 haverá mais despedimentos, sendo que, por agora, o despedimento coletivo não chega a 100 trabalhadores. 

Taxas negativas nos créditos: "populismo"

A favor da diversidade e a concorrência no setor financeiro, o presidente da APB considera, ao mesmo tempo, que deve haver consolidação na banca. Quanto ao malparado, "importa acelerar" a sua recuperação. 

Já a obrigatoriedade de os bancos imporem taxas negativas nos contratos de crédito (por causa das Euribor estarem negativas) e também a proibição de aplicar comissões bancárias são, no seu entender, medidas de "carácter populista". A banca "não é um serviço público", argumenta na mesma entrevista ao Negócios.

Vai mais longe, advertindo para que essas medidas "afetam brutalmente a rentabilidade dos bancos", o que poderá, por arrasto, trazer más consequências para o país, criticando a "extremada defesa do consumidor".