A agência de notação financeira Moodys considerou hoje que a venda de metade das carteiras de dívida púbica portuguesa e italiana recentemente feita pelo BPI é positiva, porque reduz a exposição do banco à possível desvalorização dos títulos.

«A venda é positiva ao nível do crédito para o BPI, porque reduz a exposição do banco a eventuais perdas no valor do mercado desses ativos, que estavam no portefólio disponível para venda do banco», lê-se num relatório de Pepa Mori, vice-presidente da Moodys.

«O BPI ainda tem uma exposição de 1,3 mil milhões de euros à dívida pública de longo prazo de Portugal e Itália, com maturidade em 2019», assinalou, realçando que «a venda da semana passada e a recuperação do mercado de dívida soberana até ao final de março aumentaram o capital do banco em 183 milhões de euros».

O Banco BPI revelou na semana passada que alienou metade das suas carteiras de dívida pública portuguesa e italiana, cujo valor nominal ascendia a 1.337,5 milhões de euros, numa operação que gerou menos-valias após impostos de 102 milhões de euros.

«Esta decisão de reduzir a exposição à dívida pública tem como objetivo reduzir a volatilidade futura dos rácios de capital», explicou Fernando Ulrich, presidente do BPI, numa conferência de imprensa em Lisboa.

No final de 2013, o BPI já tinha vendido a totalidade da exposição à dívida pública irlandesa, no valor de 335 milhões de euros.

A Moodys relaciona esta operação de venda de dívida com o reembolso feito recentemente pelo BPI ao Estado da maioria das obrigações convertíveis em capital (CoCo).

Em junho de 2012, o Estado português subscreveu 1.500 milhões de euros de CoCo do Banco BPI, tendo o banco conseguido abater boa parte desse montante até hoje.

Resta uma fatia de 420 milhões de euros e Ulrich revelou que a vontade da comissão executiva que lidera é acelerar o processo de reembolso ao Estado, ainda que frisando que a decisão tem de ser tomada pelo conselho de administração do banco, que se reúne a 23 de abril (no mesmo dia da assembleia geral), e receber a luz verde do Banco de Portugal.