O primeiro-ministro português, José Sócrates, considerou este sábado, em Tripoli, que os projectos de investimento mútuos entre Portugal e a Líbia são «muito ambiciosos», sublinhando que o ideal será equilibrar a «grandemente desfavorável» balança comercial portuguesa com a Líbia.

Em declarações à agência «Lusa», após um encontro com o líder líbio, Muamar Kadafi, o chefe do executivo de Lisboa salientou a importância de um acordo global de cooperação este sábado assinado bem como de quatro memorandos de entendimento que irão permitir equilibrar a balança dos pagamentos entre os países.

«Portugal importa da Líbia cerca de 1.500 milhões de euros, maioritariamente petróleo, e apenas exporta produtos no valor de 10 milhões de euros. As autoridades líbias manifestaram-se totalmente disponíveis para a necessidade de reequilibrar as nossas contas», realçou Sócrates.

Diversificar exportações precisa-se

Mais investimento português na Líbia e mais investimento líbio em Portugal, bem como apoiar as empresas portuguesas que queiram investir na Líbia são os objectivos desta visita de Sócrates a Tripoli, seguindo o mesmo «raciocínio e estratégia» do que foi feito nos últimos anos em relação ao Brasil, China, Rússia, Venezuela e, mais recentemente, em Angola.

«Temos de diversificar as nossas exportações e a Líbia é um dos nossos parceiros estratégicos», sublinhou à «Lusa» o primeiro-ministro, após um encontro de mais de uma hora entre a delegação portuguesa que o acompanha e Kadafi.

O encontro conjunto, em que participaram também os ministros portugueses dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e da Economia, Manuel Pinho, e o embaixador de Portugal em Tripoli, Rui Lopes Aleixo, foi seguido de uma reunião a sós, de cerca de meia hora, entre Sócrates e Kadafi, tendo ambos salientado a «grande amizade» entre os governos dos dois países.

«Acordo-chapéu»

O primeiro-ministro português aproveitou o encontro com Kadafi para agradecer «profundamente» o empenho do líder líbio na realização da Cimeira Europa-África em Dezembro de 2007, sublinhando que sem ele o encontro teria tido algumas dificuldades na sua concretização.

Sócrates salientou também a importância das relações políticas, económicas e comerciais, projecto iniciado há cerca de três anos, que continuou com a abertura de uma Embaixada de Portugal na capital líbia em Setembro de 2007 e que culmina este sábado com a assinatura do «acordo chapéu» de cooperação.

Nesse sentido, a Líbia vai enviar uma missão empresarial a Portugal dentro das próximas duas semanas, estando também previsto que Manuel Pinho encabece uma delegação das principais empresas portuguesas que deverá deslocar-se a Tripoli entre 10 e 15 de Agosto próximos.

Sócrates, por outro lado, inaugurou a embaixada de Portugal em Tripoli, na presença de membros do governo líbio, do corpo diplomático acreditado em Tripoli e de um grupo de administradores e empresários de diversas empresas, entre elas a Galp Energia, EDP, Caixa Geral de Depósitos, Banco Espírito Santo, Hagen, Secil, Prológica e Euroatlantic.