A Sérvia, candidata à adesão à União Europeia, anunciou esta sexta-feira que vai acatar o pedido de Bruxelas de não tirar partido do embargo russo aos produtos alimentares europeus, mas não vai suspender as suas exportações para a Rússia.

O primeiro-ministro sérvio, Aleksandr Vucic, disse numa conferência de imprensa em Belgrado que o seu governo não vai impedir os produtores sérvios de exportarem os seus produtos para a Rússia porque isso seria «contrário aos interesses do Estado».

Vucic prometeu no entanto «cumprir as recomendações da União Europeia» (UE), não aprovando quaisquer medidas de estímulo às exportações para a Rússia.

«Não há necessidade nenhuma de darmos subvenções adicionais. Respeitaremos a vontade da UE. A integração na UE é o objetivo estratégico da Sérvia. Por outro lado, não impusemos nem vamos impor sanções à Federação Russa», disse.

A Rússia impôs este mês um embargo as importações de produtos alimentares dos Estados Unidos, da União Europeia e de outros países, em resposta às sanções económicas que lhe foram impostas pelos países ocidentais depois de anexar a península ucraniana da Crimeia.

Na semana passada, um porta-voz da Comissão Europeia, Peter Stanos, pediu aos países candidatos à adesão que não explorem o embargo russo em proveito próprio.

«Para assegurar a unidade da comunidade internacional, a UE espera que os países candidatos se abstenham de medidas que visem explorar novas oportunidades comerciais decorrentes das sanções russas», afirmou num comunicado divulgado em Bruxelas.

A Rússia depende fortemente da importação de fruta e de vegetais porque o clima impede os agricultores de atingirem níveis de produção adequados à procura.

As exportações sérvias de produtos alimentares para a Rússia totalizaram 88,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2014, segundo números oficiais.

A ministra da Agricultura sérvia, Snezana Boskovic Bogosavljevic, que esteve em Moscovo para contactos comerciais, disse hoje à televisão pública RTS que as capacidades produtivas da Sérvia são muito pequenas para o mercado russo, pelo que representam «uma percentagem insignificante que não ameaça ninguém».

Segundo a ministra, os produtos sérvios correspondem a 0,2% do total de importações russas e, se alcançarem a sua capacidade plena, não irão além de 0,4 ou 0,5% do total.