Desconhecimento e falta de informação são as principais razões alegadas por automobilistas espanhóis para justificar dívidas em portagens da antiga autoestrada sem custos para o utilizador (SCUT) do Algarve, segundo a Comissão de Utentes da Via do Infante (A22).

A A22 liga o Algarve à região espanhola da Andaluzia, é a principal via de comunicação entre Portugal e Espanha a sul e começou a ser portajada a 08 de dezembro de 2011, mas os automobilistas espanhóis «continuam a sentir muitas dificuldades em perceber como funciona o sistema» de cobrança através de pórticos eletrónicos, disse hoje à agência Lusa Pedro Tavares, dirigente da Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI).

Depois de se reunir na quarta-feira, em Huelva (Espanha), com a empresa de advogados que está a tratar das notificações das dívidas aos automobilistas espanhóis, a CUVI deu como exemplo casos de pessoas que «passam os cartões bancários nas máquinas disponíveis nas fronteira» - e que associam o cartão à matrícula do veículo para fazer a cobrança à passagem nos pórticos eletrónicos - mas depois circulam por vias onde essa associação não é feita.

«Passam os cartões à entrada de Portugal e ficam a pensar que o sistema permite viajar por todo o país. Entram no Algarve, vão até Lisboa pela Via Verde e depois ficam com as portagens da A2 em dívida porque este sistema só é válido no Algarve», criticou.

Segundo o representante, os responsáveis do escritório de advogados de Huelva adiantaram que estão «apenas a comunicar, até agora, os valores em dívida» aos automobilistas espanhóis «a pedido de concessionárias das autoestradas» e que «ainda não estão a ser feitas notificações judiciais».

«É-lhes comunicado o valor em dívida e se não pagarem é que depois é dada entrada ao processo judicial», acrescentou.

O dirigente da CUVI sublinhou que há também casos de empresas de transporte, «nomeadamente da Galiza, que se têm aproveitado destas debilidades do sistema e tem já meio milhão de euros em dívidas relativas a portagens em antigas SCUT», que «nunca pagaram».

A CUVI tem vindo a alertar para as dificuldades que o pagamento de portagens na A22 tem representado para as trocas comerciais entre Portugal e Espanha, para as empresas de transporte e para as deslocações de pessoas e bens entre os dois lados da fronteira, face à inexistência de alternativas.

A única alternativa é a Estrada Nacional 125 (EN125), que a Comissão de Utentes considera «não ser viável» por «apresentar sinais de degradação», por atravessar muitas localidades e pela sinistralidade rodoviária e mortes nela registada e que a «voltaram a tornar na estrada da morte».

Pedro Tavares anunciou ainda que, a 27 de novembro, a CUVI vai participar numa segunda reunião, em Ayamonte (Espanha), com partidos políticos e associações comerciais e empresariais dos dois lados da fronteira, para debater os problemas causados pelo pagamento de portagens na A22.