O movimento cívico "Naturalmente Não às portagens na A28" apelou esta segunda-feira ao Governo que reavalie o modelo de cobrança de portagens naquela autoestrada "para introduzir maior justiça e coesão territorial" na região transfronteiriça.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o movimento defendeu que a ex-Scut (autoestrada anteriormente sem custos para o utilizador), entre Viana do Castelo e Porto, deve merecer a mesma discriminação positiva que o Governo anunciou para as autoestradas do Interior e sem vias alternativas, com redução do preço das portagens até ao verão.

"A A28 não pode continuar a ser portajada, particularmente porque não tem qualquer alternativa. A Estrada Nacional (EN) 13 não é de todo uma alternativa, como está comprovado, situação em tudo semelhante à A22", sustentou o movimento.

Defendeu ainda que, "embora o distrito de Viana do Castelo seja um distrito litoral, tem índices de desenvolvimento só comparáveis aos distritos do interior, objeto da discriminação positiva".

"A aplicação de portagens tem castigado e prejudicado este território de Viana do Castelo e todo o Alto Minho, pois, foram inúmeros os problemas e constrangimentos criados com a implementação desta medida em 2010 e que constituíram um forte entrave à competitividade da região e foram ainda um fator prejudicial para as relações transfronteiriças da mesma", sustentou.

Para o movimento cívico, " o custo resultante das portagens, quer para os cidadãos, quer para as empresas é uma realidade, em muitos casos, incomportável, o que originou o encerramento e a deslocalização de empresas para outras regiões, nomeadamente para o grande Porto".

"Estes custos tiveram consequências gravíssimas para Viana do Castelo, pois o comércio local perdeu 49,5%, a hotelaria 57% do seu negócio. Perderam-se quadros técnicos, que se deslocavam de outros territórios, que deixaram de dar o seu contributo nas empresas locais, perderam-se médicos que deixaram o hospital de Viana do Castelo, devido aos elevados custos com deslocações", especificou.

O movimento "Naturalmente Não às portagens na A28" considerou ainda que "a receita total dos cinco anos de vigência da cobrança de portagens, aproximadamente 420 milhões de euros, segundo dados de outubro de 2015 das Infraestruturas de Portugal, não compensa os custos diretos e indiretos" da medida.

Acrescentou que "o tráfego aumentou na ordem de 30 a 40% nas estradas nacionais, aumentaram os gastos de combustíveis, os níveis de poluição,

O desgaste das estradas nacionais e a sinistralidade rodoviária".

"Foram estes custos compensados pela receita obtida com as portagens? Claro que não. É inegável a diminuição de tráfego em todas as ex-scut, particularmente na A28, que foi da ordem de 35%. Perda significativa da utilização do aeroporto Sá Carneiro por parte dos vizinhos galegos, cuja redução foi superior a 50%", criticou.

O movimento de utentes garantiu ainda que "continuará a manifestar-se contra esta injustiça e ataque aos cidadãos e empresas de Viana do Castelo e Alto Minho".