O presidente do Conselho Europeu diz que «a ideia de Europa está sob pressão» e precisa de ser defendida, numa altura em que surgem alguns sinais positivos, mas em que «os esforços estão longe de ter terminado».

Citado pela Lusa, Herman Van Rompuy, que falava em Bruxelas durante uma conferência organizada pelo think tank Friends of Europe (Amigos da Europa), procurou transmitir a ideia de que a estratégia de Bruxelas na resposta à crise, que constitui um desafio «sem precedentes», começa a dar resultados positivos, mas advertiu que as mais recentes projeções económicas não garantem uma confiança definitiva: «Os nossos esforços estão longe de ter terminado».

«Ainda estamos longe do ponto que desejamos na dimensão social (...) o desemprego é devastador em muitos países, o horizonte não ficará claro enquanto não vencermos essa batalha do desemprego, o esforço para o crescimento e o emprego tem de continuar a ser uma prioridade absoluta», enfatizou o belga.

Como uma das respostas, Van Rompuy apontou uma linha de «crescimento através da competitividade» e realçou «as discussões em curso» no seio da União Europeia para uma maior aposta em áreas como a inovação, a energia, a tecnologia ou a indústria.

Rompuy destacou ainda as alterações na governação económica e financeira para «reforçar as fundações da zona euro» e confessou «nunca ter esperado que se chegasse tão longe» em muitos aspetos, como na criação de um supervisor bancário único.

O presidente do Conselho Europeu reconheceu contudo que a impopularidade e a indiferença muitas vezes verificada em relação às questões europeias, e agravadas pela crise, só podem ser combatidas mostrando verdadeiros resultados às opiniões públicas.

«As opiniões públicas não se convencem com retórica mas com resultados como o crescimento económico e o emprego. Não podemos perder de vista o plano do longo prazo e as medidas para a união económica e monetária. Acredito que sairemos mais fortes desta crise, mas não é um caminho fácil», afirmou.

«A ideia de Europa está sob pressão nos nossos países e talvez nunca tenha precisado tanto de ser defendida como hoje, não só a nível político, mas em todos os níveis», considerou Herman Van Rompuy.

Questionado por um dos participantes sobre a divisão entre países do norte e sul da Europa, o presidente do Conselho Europeu ripostou que todos os Estados-membros têm um papel a cumprir.

«Só há uma solução, solidariedade e responsabilidade, responsabilidade dos que têm economias fracas em convergir na direção das economias mais fortes, aumentar a competitividade e resolver os seus problemas de endividamento, e solidariedade [do norte]», disse.

A este propósito, Rompuy disse esperar «moderação no tom» durante a campanha eleitoral europeia em 2014 e advertiu para a importância da «coragem política» na hora de tomar decisões.

«Avançar com políticas difíceis de consolidação e de reestruturação requer coragem política, temos de fazer o que sabemos que temos de fazer, não podemos ficar à espera que todos concordem, sabemos que o ajustamento está a demorar muito tempo e que isso causa impaciência», referiu.