Bruxelas desafiou esta terça-feira o Governo grego a apresentar alternativas ao corte de pensões e ao aumento do IVA, já que não quer avançar com essas medidas, pedidas pelos credores.

O desafio chegou pela voz do comissário europeu para o euro, numa conferência de imprensa no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

"É importante dizerem não só que medidas não gostam, mas também que medidas estão prontos a tomar", afirmou Valdis Dombrovskis, para quem é claro que há a "possibilidade de substituir medidas por outras com o mesmo impacto orçamental".


O corte das pensões é precisamente a linha vermelha que o Governo da Grécia recusa cruzar. Para os credores este é um ponto chave, já que Atenas gasta 17% do Produto Interno Bruto com o pagamento das reformas aos gregos.

O Governo grego propõe aumentar de 4% para 6%, as contribuições dos pensionistas para a saúde, mas não aceita cortar as pensões.

A proposta da Grécia inclui três escalões de IVA, de 7%, 12% e 23%, em vez de apenas duas, como propõe Bruxelas. Atenas recusa também taxar a energia no escalão superior de 23%.

Na proposta, o Governo grego propõe-se alcançar um excedente primário de 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. É uma revisão em alta face à proposta anterior, que era de 0,6%, mas fica ainda abaixo dos 1% exigidos pelos credores. 

Ao que tudo indica, a contraproposta que Atenas entregou esta terça-feira aos credores internacionais não é suficiente para um acordo.

Para amanhã está agendada uma reunião de líderes entre Alexis Tsipras, Angela Merkel e François Hollande, que pode ou não manter-se, depois de os credores analisarem as propostas apresentadas por Atenas.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, diz que "o que está em cima da mesa é a conclusão do atual programa" e que, "se não chegamos a um acordo sobre isso, não podemos discutir o futuro".


Jeroen Dijsselbloem contrariou o otimismo grego sobre a iminência de um acordo, avisando que Atenas tem subestimado a complexidade das medidas que lhe são pedidas e que o acordo só será possível se as contrapropostas da Grécia forem "sérias".

O ministro das Finanças francês, Michel Sapin, também falou sobre o caso grego esta tarde, no parlamento do seu país: "O projeto europeu não consiste em diminuir ou excluir este ou aquele país. Precisamos de crescimento. O povo grego precisa de crescimento. Nada deve perturbar a recuperação. O diálogo está em curso. Não pode haver ditames nem chantagens ou ultimatos de um lado ou do outro".


A Comissão Europeia confirmou esta manhã que recebeu novas propostas da Grécia e que as instituições – BCE, FMI e a própria Comissão – estavam a avaliar estes novos contributos. 

Na sua proposta, Atenas quer ainda usar fundos do Mecanismo europeu de Estabilidade para reembolsar cerca de 6,7 mil milhões de euros em obrigações detidas pelo Banco Central europeu, que vencem em julho e agosto, e quer também poder aceder a fundos de resgate do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e que os bancos sejam autorizados a comprar mais dívida pública de curto-prazo.  

O primeiro-ministro grego tem deixado alertas relativamente à eventual saída da Grécia da Zona Euro, considerando que a mesma será um problema sério para os Estados-membros.  
 

“Se a Grécia falhar, os mercados irão procurar o próximo país. Se as negociações falharem, o custo para os contribuintes europeus será enorme.” 


Segundo o “Wall Street Journal” avançou na segunda-feira, os credores da Grécia propuseram uma extensão do resgate até março de 2016 em troca de cortes nas pensões e aumento de impostos.