A gestora da bolsa portuguesa (Euronext) tem colaborado com os supervisores, Banco de Portugal e CMVM, nas ações de investigação a operações de mercado que levantam suspeitas, disse esta sexta-feira o presidente, Luís Laginha de Sousa, sem querer comentar casos específicos.

«Os supervisores têm os seus instrumentos. Na medida em que necessitem de elementos da bolsa, todos os elementos foram, são, e serão fornecidos», afirmou aos jornalistas o responsável, à margem de um evento na Euronext Lisboa.

«Não comento pontos de contacto entre a bolsa e o supervisor [do mercado de capitais]», acrescentou Laginha de Sousa, sem adiantar mais informações.

Laginha de Sousa tinha sido questionado especificamente sobre o envolvimento da Euronext Lisboa com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) no âmbito das cinco ações de investigação a operações que envolvem títulos do Banco Espírito Santo (BES) e da Portugal Telecom (PT).

A existência destas investigações foi tornada pública na quinta-feira pelo presidente da CMVM, Carlos Tavares, numa audição no Parlamento.

Certo é que, das cinco ações de investigação em curso, quatro incidem sobre situações específicas, que não foram identificadas pelo líder do supervisor do mercado português, devido à invocação do dever de segredo profissional.

Carlos Tavares foi ouvido pelos deputados que integram a comissão de Orçamento e Finanças devido à situação que vive o Grupo Espírito Santo (GES).

Três holdings de topo do GES (Espírito Santo International, Rio Forte e Espírito Santo Financial Group) avançaram recentemente com pedidos de gestão controlada no Luxemburgo, país onde têm as suas sedes, dada a impossibilidade de cumprirem os compromissos financeiros assumidos, nomeadamente, no que toca a dívida emitida e cujas maturidades já foram atingidas sem os devidos reembolsos aos investidores.

Entre os grandes credores do GES, conta-se a Portugal Telecom (PT), que investiu quase 900 milhões de euros em papel comercial da Rio Forte.

Na quarta-feira, a operadora brasileira Oi, que está em processo de fusão com a PT, confirmou que não recebeu o reembolso do papel comercial que a Rio Forte devia ter pago até terça-feira e garantiu que adotará «as medidas cabíveis» para a cobrança, através das subsidiárias PT Portugal e PT International Finance.

A ausência do pagamento dos 847 milhões de euros relativos ao principal bloco de papel comercial da Rio Forte Investments até dia 22 de julho, faz com que a holding tenha entrado em incumprimento. Por pagar à PT estão ainda mais 50 milhões de euros de papel comercial pela Rio Forte, num montante global de 897 milhões de euros.