O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, reiterou esta sexta-feira que o governo de Atenas «está desejoso» de proceder a uma série de reformas e que concorda com boa parte do diagnóstico que fazem os credores sobre a situação do país.

"Os desacordos com os nossos parceiros não são ‘insalváveis’. O nosso governo está desejoso de racionalizar o sistema de pensões, de proceder a várias privatizações, fazer frente a questões que estão a impedir o acesso ao financiamento, de criar uma comissão tributária independente e de fomentar o espírito empresarial", disse Varoufakis num artigo publicado no seu blogue.

Esta sexta-feira há reunião do Eurogrupo em Riga, na Letónia, mas não se espera qualquer acordo formal.

O presidente do Eurogrupo disse, à entrada para a reunião dos ministros das Finanças, que o encontro servirá para saber como estão a decorrer negociações com a Grécia, acrescentando que espera que sejam relatados progressos.

"Vou-me pôr a par da situação, pelas instituições e pelo colega grego. Espero que haja alguns progressos para serem relatados", disse Jeroen Dijsselbloem aos jornalistas, citado pela Lusa, à chegada à reunião do Eurogrupo.Sem grandes expactativas sobre grandes avanços nas negociações, um acordo poderá só ser alcançado no início de maio. 


O também ministro das Finanças da Holanda voltou a reiterar a "urgência" de se chegar a um acordo. "Vamos ver o que as próximas semanas nos trarão", afirmou. 

Questionado sobre o pouco tempo agora existente para chegar a um entendimento com a Grécia quanto às medidas a adotar no país, uma vez que a data-limite definida em fevereiro era abril, Dijsselbloem lembrou que o mês ainda não acabou e fez questão de sublinhar que esse prazo é mais importante para a Grécia do que para o Eurogrupo, porque é ao país que interessa um entendimento para poder ter acesso a financiamento. 

Também à chegada ao Eurogrupo, o comissário europeu para o Euro, o letão Valdis Dombrovskis, afirmou que até ao momento os "progressos nas negociações técnicas ainda não são suficientes para haver um acordo", reiterando que é "importante acelerar". 

Durante várias semanas este Eurogrupo informal de Riga ter sido apontado como aquele em que deveria haver um acordo - pelo menos preliminar - que permitisse a Atenas ultrapassar o impasse em que está e aceder à última tranche do programa de resgate, de 7,2 mil milhões de euros. 

No entanto, as dificuldades em chegar a um entendimento com os credores levou a que nos últimos dias fossem diminuídas as expectativas sobre este encontro, falando-se agora de um eventual entendimento mais para o final deste mês ou início de maio. 

Desde fevereiro que o Governo liderado por Alexis Tsipras está em negociações com o chamado Grupo de Bruxelas, constituído por Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional (a ex-troika) e ainda Mecanismo Europeu de Estabilidade, sobre as reformas estruturais e as medidas de consolidação orçamental a executar em contrapartida de ajuda financeira. 

Apesar de o Governo helénico já ter apresentado várias listas com propostas, as instituições continuam a exigir medidas mais 'aceitáveis', sobretudo em termos de finanças públicas, pensões, legislação laboral e privatizações. 

Ainda à entrada para este encontro, Jeroen Dijsselbloem, recusou-se a falar sobre um novo mandato à frente do Eurogrupo, quando é do conhecimento público que o ministro de Economia espanhol, Luis de Guindos, quer assumir esse lugar. 

Portugal está representado nesta reunião dos ministros das Finanças e da Economia da zona euro pela ministra Maria Luís Albuquerque.