O Eurogrupo aceitou esta sexta-feira encetar os procedimentos para que a Irlanda possa reembolsar antecipadamente o empréstimo do FMI, numa reunião em que a ministra das Finanças deu conta da intenção de Portugal vir a fazer o mesmo no futuro.

Países «não podem pôr em risco» consolidação orçamental

A reunião informal do Eurogrupo discutiu, entre outros temas, a intenção de Dublin de reembolsar antecipadamente cerca de 18 mil milhões de euros dos 22,5 mil milhões emprestados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito do programa de assistência internacional, no valor global de 85 mil milhões de euros.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro, o presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, disse que «saúda a iniciativa da Irlanda» porque «fortalece a sustentabilidade da dívida da Irlanda e beneficia os maiores credores», como é o caso do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, que daria origem ao mecanismo permanente.

Agora, disse Regling, serão iniciados os procedimentos para que esse reembolso possa acontecer e que em alguns países pode passar pela aprovação dos respetivos parlamentos.

À entrada para a reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan,já tinha dito que o país está no bom caminho, mas que não haveria já acordo formal.

À saída do encontro, Noonan disse que os responsáveis das instituições comunitárias se mostraram a favor da iniciativa irlandesa, enquanto que o único representante dos Estados-membros que se manifestou foi a ministra das Finanças de Portugal, Maria Luís Albuquerque.

«Congratulou a Irlanda e disse que poderão solicitar a mesma possibilidade porque prevê que, no futuro, as taxas de juro da dívida soberana desçam suficientemente» para que Portugal também tenha interesse em pagar mais rapidamente o dinheiro ao FMI, disse o governante irlandês, citado pela Lusa.

No âmbito do programa de resgate, além de ter recebido dinheiro dos fundos europeus, a Irlanda recebeu ainda empréstimos bilaterais de Dinamarca, Reino Unido e Suécia.

A antecipação do pagamento do empréstimo do FMI necessita da autorização dos parceiros europeus, já que nos contratos dos resgates ficou estabelecido que, se os empréstimos do FMI fossem reembolsados antes do prazo, os credores europeus teriam o direito de exigir o mesmo.

Já Portugal pediu emprestados cerca de 25 mil milhões de euros ao FMI, do pacote total de quase 78 mil milhões de euros, mas a intenção do Governo será só reembolsar as primeiras tranches a vencer.