Dia Europa e, também, um dia D para a Grécia. Pelo menos é o que se espera e, à luz das declarações do comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, poderá haver razões para otimismo. 

À entrada da reunião extraordinária que tem o terceiro resgate de Atenas em cima da mesa, Moscovici disse esperar que dali saia "um quadro para um acordo global sobre a Grécia". Ao mesmo tempo, elogiou as recentes medidas adotadas por Atenas.

"Hoje deverá ser decidido o enquadramento para um acordo global . (...) [As reformas aprovadas pelo parlamento grego são] boas, equilibradas e que irão repor a Grécia no caminho do crescimento".

O encontro entre os ministros das Finanças da zona euro surge um dia depois da aprovação, por parte do parlamento helénico, de um novo pacote de austeridade no valor de 5.400 milhões de euros por ano, que inclui aumentos de impostos e corte de pensões. 

A reação, nas ruas, não se fez esperar. Uma manifestação juntou no domingo mais de 10 mil pessoas na capital Atenas e terminou em confrontos. Alguns jovens encapuzados lançaram cocktails molotov contra as forças antimotim. Em resposta, a polícia utilizou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Mesmo coma nova austeridade anunciada, o problema é que, nesta altura, pode mesmo assim não chegar: os credores exigem ainda um plano B na ordem dos 3,6 mil milhões de euros. Certamente um problema que tem tudo a ver com a divisão entre a Europa e o Fundo Monetário Internacional que nesta altura têm estratégias diferentes para a Grécia.

O tempo começa a escassear, porque em julho a Atenas tem de fazer importantes reembolsos de dívida e, mais uma vez, os cofres de Atenas estão, nesta altura, praticamente vazios.

Havendo consenso, o Eurogrupo já admitiu discutir reestruturação da dívida grega, com mexidas nos prazos e juros, mas não um corte de dívida propriamente dito. A Alemanha tem sido dos países mais resistentes no finca-pé a estas possibilidades. 

Apesar do braço-de-ferro que a Grécia ainda desencadeia entre os credores, pelo menos o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros dá a entender que poderá haver luz ao fundo do túnel depois da reunião de hoje, que começou às 15:00 locais, 14:00 de Lisboa.