Os ministros das Finanças da zona euro estão a «perder a paciência» com a Grécia, declarou o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, ao jornal grego Ta Nea.

«Muitos dos ministros das Finanças da zona euro começam a perder a paciência», declarou Dijsselbloem ao jornal na quarta-feira em Haia.

O Governo grego apresenta hoje no parlamento o projeto de Orçamento do Estado para 2014, mas o documento deve ter com grande probabilidade de sofrer alterações, já que Atenas não chegou a acordo com a troika dos credores internacionais em relação ao «buraco» orçamental previsto para o próximo ano.

A troika abandonou hoje a Grécia depois de semanas de negociações com Atenas, mas sem concluir um acordo sobre a revisão do programa de resgate, atrasando assim o desembolso de mil milhões de euros.

A troika «concluiu a visita à Grécia depois de conversações produtivas com as autoridades sobre o conjunto de políticas que poderiam servir como base para a realização da revisão em curso do programa económico do país», segundo um comunicado conjunto.

«Conseguiram-se avanços, mas algumas questões continuam por resolver», afirma a Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

No entanto o tom do comunicado da troika contrasta com informações e fugas de informação transmitidas na imprensa grega, que indicam um desacordo persistente e sem solução a curto prazo entre as duas partes.

Apesar das aproximações conseguidas entre a troika e o Governo grego, ambas as partes mantêm divergências em relação ao «buraco» fiscal que Atenas vai ter de fazer frente em 2014.

Os representantes da troika iniciaram as conversações com base de que o referido «buraco» de financiamento podia ascender até 2.900 milhões de euros, o que implicaria a necessidade de sacrifícios adicionais, enquanto as autoridades gregas estimam que este não é superior a 500 milhões de euros.

No entanto, o Governo grego apresentou nos últimos dias um programa de cortes de 1.300 milhões de euros no qual não se incluiriam cortes salariais ou de pensões generalizados, mas sim medidas de poupança de caráter estrutural.

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, expressou em numerosas ocasiões que se opõe a aplicar mais cortes no país, uma linha vermelha que se recusa a passar para evitar um aumento da tensão social.

«A Grécia ainda tem muito trabalho a fazer», declarou Dijsselbloem ao Ta Nea, adiantando que as negociações com a troika se referem aos «progressos ou melhor, à ausência destes em relação aos compromissos» assumidos por Atenas.

O financiamento da atual revisão do programa grego é uma condição prévia para que os credores aprovem o desembolso da nova tranche de mil milhões de euros para a Grécia.