O ministro das Finanças da Irlanda defendeu esta segunda-feira, à entrada para uma reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, que uma extensão do atual programa de assistência à Grécia seria a melhor solução para fazer evoluir as negociações.

«A meu ver, uma extensão do programa seria a forma mais imediata de registar progressos» nas discussões, apontou Michael Noonan, lembrando que o atual programa de assistência termina em breve, a 28 de fevereiro, razão pela qual um prolongamento de alguns meses daria tempo às partes para encontrarem um compromisso, mesmo que relativamente a um novo programa.

O ministro das Finanças da Irlanda - país que, tal como Portugal, já concluiu o respetivo programa de ajustamento - acrescentou que um novo programa para a Grécia teria sempre que ser aprovado pelo parlamento irlandês, o que não sucederá com uma eventual extensão.

Também o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo euro, Valdis Dombrovskis, defendeu à entrada para o encontro do Eurogrupo que a melhor solução seria Atenas solicitar uma extensão do atual programa, algo que o novo governo grego liderado por Alexis Tsipras tem rejeitado, já que, do seu ponto de vista, o programa ainda existente é nulo.

«Do ponto de vista da Comissão, a forma mais realista de prosseguir é através da extensão do atual programa, o que dará mais tempo às negociações», defendeu Dombrovskis, segundo o qual é «muito claro que a base destas negociações» é o programa ainda existente.

O comissário precisou que essa extensão poderia ser até seis meses.

Já o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, estimou que é possível chegar a um acordo, embora preveja uma «discussão complicada» numa reunião cuja importância disse ser «óbvia».

Questionado sobre as modalidades de um possível compromisso entre Atenas e os seus parceiros relativamente à sequência a dar ao programa de financiamento ao país, o comissário escusou-se a entrar em detalhes mas também insistiu que há atualmente um programa em curso, e que é nesse quadro que as negociações devem ter lugar.

«Há um programa de ajuda à Grécia, e é nesse quadro que trabalhamos e que devemos prosseguir as nossas discussões. O programa existe», frisou Moscovici à entrada para a reunião.

Portugal está representado na reunião pela ministra Maria Luís Albuquerque, que prestará declarações no final, também para dar conta da discussão entre os 19 ministros da zona euro sobre o pedido português de reembolso antecipado de parte do empréstimo contraído junto do Fundo Monetário Internacional (FMI).