Foi um ministro da Finanças confiante e um futuro presidente do Eurogrupo cheio de certezas que se apresentou aos jornalistas portugueses, após a eleição, desta tarde, que terminou à segunda volta com a vitória esperada de Mário Centeno, por unanimidade. Em Portugal nada mudará, diz.

"A minha eleição não muda nada na relação com os nossos parceiros parlamentares (Bloco e PCP)", garante Centeno, acrescentando que “temos um conjunto de compromissos em Portugal que não são, de todo, colocados em causa com esta eleição (...) ganhámos foi a capacidade de trazer para esta arena um conjunto de propostas do partido socialista.”

E recorda: “Nós temos no programa de governo um conjunto de princípios de participação na construção europeia, que têm sido desenvolvidos, e isso vai continuar obviamente a ser feito."

O responsável da pasta das Finanças não tem dúvidas que o momento "valoriza a credibilidade do processo em Portugal [processo de ajustamento que levou à saída do país do Procedimento por Défice Excessivo." De resto, é por isso que Centeno foi ganhando visibilidade entre os pares europeus. Uma visibilidade que subiu alguns degraus após o ex-ministro das Finanças alemão o apelidar de “Ronaldo” das Finanças.

Acho que os portugueses estão orgulhosos de estarmos nesta posição", afirma o homem das Finanças do governo português.

"Uma honra para mim, uma distinção para o país", vai dizendo.

Sobre a relação com os pares na Europa e o cargo, em si, o economista refere que também que nada irá mudar: “Não é uma responsabilidade acrescida nem nova”, frisa, acrescentando que “é apenas um novo patamar dessa exigência”.

"Tenho a certeza que o novo presidente do Eurogrupo vai ter uma bela relação de trabalho com o ministro das Finanças português", graceja.

Sobre a eleição desta segunda-feira, propriamente dita, Centeno assume que "não há eleições fáceis (...) Na segunda volta não houve nada de extraordinário e foi unanimente recebida pelos outros países membros." O governante português, era o favorito na corrida e confirmou-se até antes da hora H. O atual homem forte do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, descaiu-se em direto, dizendo que o português seria o seu sucessor.

O ministro português falhou a eleição à primeira volta porque não obteve a maioria, ou seja, os dez votos, mas ficou apenas a dois. A candidata letã, Dana Reizniece-Ozola, foi a primeira a abdicar da corrida. Deixando mais espaço a Centeno, Pierre Gramegna (Luxemburgo) e Peter Kazimir (Eslováquia), na segunda volta.

Mas momentos depois foi a vez do ministro eslovaco desistir. Sendo que a segunda votação foi a dois, entre o ministro português e homólogo luxemburguês.