Mário Centeno está confiante na eleição que vai decorrer esta segunda-feira, no Eurogrupo, na qual concorre como candidato à presidência, para substituir o holandês Jeroen Dijsselbloem. Favorito já é, mas é preciso esperar pelos resultados, talvez só a meio da tarde.

O objetivo em qualquer eleição é ganhar. Fizemos o que tínhamos de fazer, conversando de forma muito aberta com outros grupos políticos. [Espero uma] boa eleição".

Os contactos e reuniões que manteve com os vários grupos políticos foram frutíferos - para além do apoio que parece certo da família europeia socialista - e Centeno espera que "o processo seja transparente no sentido de que revele a verdadeira vontade dos países". "A confiança que tenho é só essa, de que vamos verdadeiramente viver um momento de democracia na Europa", disse aos jornalistas, na chegada ao Eurogrupo.

País conquistou "credibilização"

O ministro das Finanças não deixou de recordar a altura em que Portugal era analisado de um "ângulo, digamos, menos positivo", aludindo à ameaça de sanções de que o país foi alvo, mas tudo isso foi superado com "enorme cooperação", nestes dois anos de governação.

"Apresentámo-nos sempre numa posição de construção e de credibilização do país. Foi aliás isso que possibilitou que estivéssemos aqui"

Ser eleito à primeira volta, assume Centeno, dar-lhe-ia uma "posição reforçada", mas esse não é, pelo que diz, o primeiro objetivo. "O primeiro é participar, estar presente, transmitir a minha posição sobre como vejo a condução do Eurogrupo, quer políticas e reformas que se desenham na Europa".

Outros candidatos "são todos bons"

Sobre os outros candidatos, teceu elogios genéricos e poucos reparos, sem detalhar nomes.

A análise aos outros três candidatos é algo que não gostaria muito de detalhar. São todos colegas, uns mais interventivos do que outros. São colegas com os quais mentivemos uma relação muito franca, muito aberta. São todos bons candidatos"

São eles, recorde-se, a letã Dana Reizniece-Ozola, o eslovaco Peter Kazimir e o luxemburguês Pierre Gramegna.

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À chegada, o candidato luxemburguês, Pierre Gramegna, disse que entrou na corrida por considerar ter boas hipóteses para vencer e espera uma boa votação na primeira ronda (veja os vídeos, em cima).

Antes de falar com os jornalistas portugueses, o ministro das Finanças respondeu em inglês aos jornalistas estrangeiros, assinalando que "é um dia muito importante para o Eurogrupo". "É um dia importante para todos, para os quatro candidatos, para mim também, enquanto candidato".

"É a democracia a funcionar e estamos muito felizes por fazer parte disto. Candidatei-me com um ponto de vista construtivo de gerar consensos no Eurogrupo. Temos muitos desafios na agenda", frisou. 

Centeno quer "lançar um processo de reformas que completem algumas das instituições-chave da área do Euro, começando, seguramente, pela união bancária". Quer "avanços significativos na área do euro", com o trabalho "conjunto de todos".

Intenções de voto e o lapsus linguae do atual presidente

Dijsselbloem, à entrada do Eurogrupo, proferiu esta frase: "A 13 de Janeiro termino o meu mandato e começa Mário Centeno.... eu disse Centeno?desculpem, tenho o nome na cabeça...".

O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, não vota na eleição, mas vai assistir. Não quis abrir o jogo sobre o seu candidato preferido, mas disse que trabalhou "muito bem com qualquer um deles" e espera que haja - porque tem de haver - uma relação forte entre a presidência do Eurogrupo e a Comissão Europeia. 

À chegada, o ministro das finanças francês, Bruno Le Maire, não revelou se vai votar em Centeno: "Há quatro candidatos legítimos".

Já o seu colega italiano, Pier Carlo Padoan, confirmou que vai votar no candidato português.