O relatório da comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu (PE) sobre a troika lança pistas para o futuro, consideraram, hoje, os eurodeputados Elisa Ferreira e Diogo Feio, enquanto Marisa Matias defendeu o fim da austeridade.

Para a eurodeputada Elisa Ferreira (PS), o texto final traça um caminho a seguir: «temos de partir para o próximo Parlamento e para a próxima Comissão Europeia com uma ideia muito clara de que é preciso refundar a zona euro, revê-la, reajustá-la, preencher lacunas».

Se tal não for feito, vaticinou em declarações aos jornalistas, «na próxima crise acontecerá o mesmo que se passou desta vez».

«Temos que falar sem tabus sobre temas como o modo de resolver dívidas soberanas, quais são as competências do Banco Central Europeu, se quisermos que a zona euro sobreviva», adiantou.

O texto, salientou também, «é suficientemente claro para percebermos que, em vez de sobre os erros dos países, o foco tem que ser posto nas incapacidades e lacunas que a Europa tem na sua construção para combater divergências que são crescentes e agir quando há uma crise».

Também Diogo Feio (CDS/PP) destacou as «pistas para o futuro» consagradas no documento, «desde logo o fundo monetário europeu».

«A troika foi uma solução de urgência e que tem aspetos que devem ser melhorados, desde logo o lado social», sublinhou.

Por seu lado, Marisa Matias (BE) referiu que «o relatório lamenta uma série de coisas mas isso não basta». «Se se chega à conclusão de que há uma série de impactos sociais negativos, não se pode dizer que matar o mensageiro basta, é preciso também destruir a encomenda que ele traz: a austeridade», afirmou.

«Dizer que a troika não tem legitimidade democrática é a parte boa de um relatório mau», sublinhou, acrescentando que o texto «procura chumbar a troika enquanto modelo, mas dar um balão de oxigénio à troika em si mesma, o que é contraditório».

Elisa Ferreira, Diogo Feio e Marisa Matias são eurodeputados que integram a comissão de Assuntos Económicos e Financeiros do PE, responsável pelo texto final, que é votado na quinta-feira.