O PS criticou hoje a ausência de "uma ideia de país" no debate das infraestruturas prioritárias e lamentou que ainda se esteja a discutir e não a implementar já os projetos no terreno.

Infraestruturas prioritárias definidas até abril

«Estamos a discutir em março de 2014 quando devíamos estar a implementar e continuamos à procura de uma ideia de país», afirmou o secretário nacional do PS, Eurico Brilhante Dias, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com o ministro da Economia sobre as infraestruturas prioritárias.

Sublinhando que o tema «é muito importante para o país», Eurico Brilhante Dias recordou que ao longo do último ano o PS tem alertado para a necessidade de debater a questão das infraestruturas prioritárias e a necessidade de encontrar «uma ideia de país» e não se ter apenas «um conjunto de projetos que aparece de forma ordenada, mas que não revela na essência aquilo que é uma ideia de país e como é que estas infraestruturas vão servir Portugal».

Pois, acrescentou, não se trata de discutir projeto a projeto, mas sim de perceber o que se quer fazer no território nos próximos seis anos, entre 2014 e 2020, e «quais são as áreas prioritárias para fazer chegar mercadorias e pessoas à Europa e a outros lugares do mundo».

«Temos um elencar de projetos», insistiu, e sublinhou que a posição objetiva do Governo sobre o estudo apresentado pelo grupo de trabalho também ainda não é conhecida.

Sem adiantar a posição do partido sobre o estudo, o secretário do PS disse apenas que os socialistas «nunca negam nenhum debate» e irão estar no Parlamento para debater com o grupo de trabalho e com o ministro da Economia.

Também o CDS tinha sido recebido por Pires de Lima. No final da reunião, o deputado do CDS Hélder Amaral elogiou a «tentativa que está a ser feita para consensualizar um conjunto de projetos, obras e investimentos que são importantes para o país».

«É fundamental encontrar dentro dos constrangimentos financeiros do país um conjunto de obras que dotam o país de maior competitividade e nos põem a par da convergência europeia e, ao mesmo tempo, não esquecer aquelas pequenas obras que têm impacto regional e que terão impacto na coesão territorial e terão impacto na economia nacional como um todo», sublinhou, adiantando que o CDS-PP apresentou ao ministro da Economia «algumas sugestões e algumas críticas», mas que no essencial está «em linha» com o que foi apresentado.

Hélder Amaral frisou ainda a importância de se chegar a um consenso nestas matérias, porque se evitam «erros que até agora foram cometidos» e que implicaram a construção de «obras inúteis, que custam muito dos contribuintes e depois têm um custo-benefício duvidoso».

Quanto à disponibilidade manifestada pelo PS para também se reunir, Hélder Amaral disse ser fundamental a participação dos socialistas no processo.

«Acho que o PS se olhar um pouco para o que aconteceu no passado perceberá o valor do consenso, porque ele próprio saiu bastante fragilizado e prejudicado naquilo que foi um conjunto de obras de investimentos públicos que não tiveram consenso e que deram azo a um conjunto de críticas», disse.

Além do PS e do CDS-PP, o ministro da Economia recebeu nos últimos dias os Verdes e o PCP. Esta tarde ainda recebe o BE e na próxima semana, Pires de Lima irá reunir-se com o PSD.

O relatório pedido pelo Governo, e elaborado por um grupo de trabalho que definiu um total de 30 projetos prioritários até 2020, aponta os portos e a ferrovia como prioridades para o investimento em obras públicas até 2020.

O documento refere que o financiamento prioritário deve provir de fundos comunitários (3.132 milhões de euros), do Estado (que ficaria responsável por 1.428,1 milhões de euros) e só uma pequena parte (543,6 milhões) deve ser adjudicada ao setor privado, num investimento global de 5.103,8 milhões de euros.