Os funcionários públicos perderam, em média, 19,9% dos rendimentos líquidos mensais nos últimos quatro anos, devido aos cortes salariais, ao aumento dos descontos para a ADSE e ao congelamento de carreiras, estimou hoje o economista Eugénio Rosa.

Segundo o economista, a transferência de rendimentos do trabalho para o capital na função pública tem sido feita à conta de congelamento das remunerações, congelamento de carreiras, cortes nas remunerações nominais, aumento do horário de trabalho e redução do pagamento do trabalho extraordinário.

Eugénio Rosa estima que o ganho médio mensal nominal na função pública era, em dezembro de 2010, de 1.654 euros.

A partir de janeiro de 2014 este valor, já com os efeitos do IRS e dos descontos para a ADSE, passou para um ganho médio mensal nominal de 1.512 euros, calcula o economista, considerando os cortes aplicados pelo atual Governo de Pedro Passos Coelho.

Eugénio Rosa estabeleceu ainda uma comparação entre os cortes do atual Governo com os cortes aplicados pelo anterior executivo de José Sócrates.

Se os efeitos dos cortes aplicados por Passos Coelho nas remunerações se traduzem numa redução do ganho médio líquido real de 19,9% em relação ao ano de 2010, os efeitos dos cortes aplicados pelo executivo de José Sócrates traduzem-se numa perda efetiva de 15,7%, segundo o economista.

Eugénio Rosa falava num colóquio que decorre em Lisboa sobre a transferência dos rendimentos do trabalho para o capital, organizado pelo Observatório sobre Crises e Alternativas.