
A economia dos Estados Unidos vai crescer «moderadamente» em 2012 e 2013 e estará sujeita a riscos crescentes relacionados com cortes orçamentais e a crise na Zona Euro, segundo o Fundo Monetário Internacional.
No relatório divulgado esta quinta-feira sobre a maior economia mundial, o FMI prevê uma aceleração do crescimento este ano, de 1,7% para 2,0%, atingindo 2,3% em 2013, ritmo considerado «moderado», cita a Lusa.
Na sua avaliação, a direção do FMI apela às autoridades norte-americanas para «usarem eficazmente as limitadas políticas à disposição para apoiar a retoma a curto prazo» e «recuperar a sustentabilidade orçamental a médio prazo, com uma abordagem equilibrada à consolidação».
«Isto será importante para apoiar a retoma global, dada a importância sistémica dos Estados Unidos».
A redução do défice deve ser feita «a um ritmo bem medido», de forma a não penalizar a retoma.
De importância «crítica» é «eliminar a incerteza» criada pelo «precipício orçamental» norte-americano, conseguindo acordo político no Congresso para aumentar o teto da dívida e assim assegurar as necessidades de financiamento públicas.
A direção do FMI «sublinha a importância de chegar a acordo, tão cedo quanto possível, num plano de consolidação orçamental abrangente de médio prazo, baseado em aumento de receitas e menores gastos com benefícios sociais, que estabilize o rácio da dívida a meio da década e o reduza gradualmente daí em diante».
Em relação à política monetária, deve manter-se «altamente acomodativa por muito tempo», concordando a «maioria dos diretores» que «há espaço para mais suavização» desta, caso «o cenário se deteriore».
A constranger a economia norte-americana, segundo o FMI, está a redução do consumo dos lares, cortes orçamentais e uma redução da procura externa, que a par do fortalecimento do dólar penaliza as exportações.
Após uma recuperação «robusta» depois da recessão, o investimento privado em equipamento e software vai crescer a um ritmo mais lento, embora mantendo uma «grande contribuição» para o crescimento económico, também influenciado agora positivamente pelo investimento residencial, após seis anos de declínio.
Enquanto a inflação deverá atingir a médio prazo o objetivo da Reserva Federal, na ordem de 2%.
O Fundo identifica ainda uma «intensificação dos riscos» para a economia norte-americana, incluindo a «deterioração da crise da dívida na Zona Euro, bem como a incerteza sobre os planos orçamentais internos».
Também sobre o setor bancário paira o risco de intensificação do stress nos mercados financeiros globais, embora a previsão para a banca seja «em geral positiva».