Os empresários em Portugal com 50 ou mais anos duplicaram entre 1991 e 2011, representando 36% do total, o que revela um perfil «bem mais envelhecido» do tecido empresarial face à população ativa, segundo um estudo da Associação Empresarial de Portugal (AEP) em colaboração com a consultora Quaternaire Portugal, intitulado O Envelhecimento Ativo e os Empresários Seniores.

Do estudo - elaborado com base num inquérito com 154 respondentes - resulta que, em 2011, havia 163.503 empresários com 50 e mais anos, o dobro do valor recenseado em 1991 e 36% do total de empresários recenseados através dos Censos.

«Comparativamente à população ativa, os empresários apresentam um perfil bem mais envelhecido», conclui o trabalho, apontando que, no mesmo ano, a população ativa com 50 ou mais anos não ultrapassava os 25%.

Segundo refere, «o crescimento da representatividade dos empresários seniores está associado à forte dinâmica de criação de empresas nas últimas décadas do século passado, mas reflete também a quebra nas faixas etárias mais jovens».

No período em análise, entre 1991 e 2011, o volume total de empresários seniores aumentou 95%, um valor superior ao crescimento dos empresários com menos de 50 anos de idade, antecipando o estudo que, «ao longo da próxima década, o volume de empresários seniores continue a aumentar, bem como a sua representatividade».

Dos mais de 163 mil empresários seniores em 2011, 66% são «idosos jovens», até aos 59 anos, mas a taxa de empresários com 65 e mais anos «não é negligenciável, bem como o seu contributo para o emprego dos idosos».

«Além disso - lê-se - o perfil é predominantemente masculino, apesar do aumento da presença feminina, e prevalecem as baixas qualificações, embora num quadro de melhoria gradual dos níveis de ensino».

As respostas ao inquérito revelam que na base da longevidade da atividade empresarial está «um forte vínculo ao trabalho e uma tendência de permanência na empresa para além da idade da reforma».

Para a maioria dos empresários inquiridos, os três aspetos principais que condicionam a sua saída da empresa são o atingir de um certo patamar etário (entendido de forma variável), assegurar a estabilidade da empresa e encontrar um sucessor.

A este propósito, o estudo nota que «a sucessão mantém-se um problema difícil de resolver», já que, «à questão emocional da ligação ao negócio, acresce a dificuldade em encontrar sucessores e, sobretudo nos negócios mais frágeis, surgem dificuldades económicas que impedem uma saída digna dos empresários».

Neste contexto, a AEP e a Quarternaire apontam que «a longevidade profissional não pode ser encarada apenas como fonte de realização pessoal e profissional», mas também «em função da situação específica das empresas e da possibilidade de assegurar recursos suficientes para a velhice».

Assim, sustentam, este envelhecimento da população empresarial «assume-se também como uma obrigação por falta de alternativas».

No que respeita especificamente às iniciativas dos desempregados, ao abrigo do Programa de apoio ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego, o estudo refere que os empreendedores com 50 e mais anos representam 13% das iniciativas criadas, sendo no geral mais novos e qualificados que os empresários seniores e estando as mulheres mais representadas.