O presidente da Infraestruturas de Portugal reconhece que as verbas para investir na rede rodoviária não chegam e disso garante já ter dado conta ao Governo.

Na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, o deputado comunista Bruno Dias referiu uma “paralisação brutal de investimento, de conservação e de manutenção que levou a necessidades e exigências mais flagrantes da rede para o presente e para o futuro”.

Em resposta, António Laranjo afirmou que “há, de facto, um desinvestimento que se notou”. Há “matérias que são consequências dos últimos anos que este país viveu”. As verbas destinadas à rede rodoviária têm estado em “linha com o anterior”.

Se me perguntar se são suficientes: não são suficientes. Têm que retomar a outros níveis, temos que naturalmente nos colocar mais exigentes. A exigência deste Conselho de Administração tem sido transmitida à tutela em matéria orçamental”.

A Infraestruturas de Portugal tem este ano cativos 361 milhões de euros, o que motivou novas reclamações junto do Governo, adiantou igualmente o presidente da entidade. Do total, "221 milhões de euros estão afetos às Parcerias Público Privadas (PPP)”.

“Os restantes 140 milhões de euros são os que hoje foram impostos à IP”, precisou, acrescentando que estas cativações voltaram a motivar queixas ao executivo.

“À semelhança de comunicações feitas no ano passado, e já feitas este ano também, não deixamos de reclamar sobre o retirar destes cativos ou de parte destes cativos para que possamos cumprir com o nosso orçamento para 2017”, disse António Laranjo aos deputados.

Apesar da atual situação, o presidente da IP também quis realçar o “esforço muito significativo no que diz respeito à rede rodoviária” e notou o muito que foi feito em conservação e limpeza. No entanto, admitiu, “seguramente, muita coisa há por fazer, o que tem implicações com as verbas destinadas para essa matéria”, cita a Lusa.

Sobre o aumento de contratação de serviços externos, António Laranjo justificou com o “aumento das atividades de conservação” e de cobrança de portagem.

O responsável revelou ainda haver autorizações para admissões, depois de explicar que o trabalho extraordinário registado é “consequência da falta de meios e de uma exigência que se tem tido”.

A luz verde para admissões chegou para “áreas que atualmente estão muito sobrecarregadas, nomeadamente o centro de controlo de circulação”.

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