Os trabalhadores da Refer decidiram esta terça-feira em plenário marcar uma greve de 24 horas para 18 dezembro para contestar a fusão com a Estradas de Portugal anunciada pelo Governo, disse à Lusa o coordenador da Fectrans, José Manuel Oliveira.

Em declarações à Lusa, o dirigente sindical explicou que os trabalhadores da empresa pública gestora da rede ferroviária decidiram avançar para a greve por recearem a perda dos postos de trabalho e de direitos, adiantando que o protesto poderá pôr em causa a circulação de comboios neste dia.

No plenário desta manhã, os trabalhadores da Refer decidiram ainda pedir reuniões ao Ministério da Economia, ao Ministério das Finanças e aos grupos parlamentares.

Para 12 de dezembro ficou marcada uma conferência de imprensa junto à estação de Santa Apolónia, em Lisboa, que pode ser seguida por uma marcha até ao Ministério da Economia, se entretanto não houver resposta ao pedido de reunião.

«Estamos perante uma decisão [de fusão das duas empresas] que não é sustentada por nenhum estudo que aponte benefícios», acrescentou José Manuel Oliveira.

O processo de fusão da Refer e da EP está a ser conduzido por uma comissão, composta por seis elementos e liderada por António Ramalho, que preside à gestora da rede rodoviária.

A comissão de planeamento conta com José Ribeiro dos Santos e Alberto Diogo, ambos administradores da Refer, e José Serrano Gordo e Vanda Nogueira, da EP, e ainda o economista José Carlos Osório. De fora da comissão ficou o atual presidente da gestora da Refer, Rui Loureiro.

A Infraestruturas de Portugal, nova empresa que nascerá da fusão, contará com mais de 4.000 trabalhadores – dos quais 1.090 da Estradas de Portugal e 2.955 da Refer – e será gestora de 13.515 quilómetros de rodovia e 2.794 quilómetros de ferrovia.

A comissão nomeada em agosto tem que definir a modalidade jurídica da fusão e do modelo de governo da futura empresa Infraestruturas de Portugal, redigir os estatutos da futura empresa e definir o plano estratégico para o triénio 2015-2017.

O Governo defende que a fusão permitirá obter ganhos de eficiência muito relevantes, designadamente ao nível da contratação externa, da eliminação da sobreposição de estruturas internas comuns às duas empresas, da redução de encargos por via de economias de escala e de uma melhor afetação dos recursos disponíveis.

Em julho, o ministro da Economia, Pires de Lima, adiantou que a fusão das duas empresas públicas «garante uma poupança, no mínimo, de 50 milhões de euros no próximo ano» e depois, em ano corrente, a partir do quarto ano, poupanças superiores a 100 milhões de euros.

A fusão entre a Refer e a EP está prevista no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI3+), aprovado em Conselho de Ministros a 3 de abril.