O presidente da Estradas de Portugal (EP) estimou esta quarta-feira para 2014 um «crescimento marginal das receitas de portagens» e afirmou não poder «prometer» que a empresa registe um resultado líquido positivo.

António Ramalho, que falava na apresentação dos resultados da EP, disse que o ano de «2013 fecha claramente um ciclo» que trouxe a empresa «para as margens da rentabilidade e da sustentabilidade, através de uma forte contenção dos custos, de uma forte renegociação das concessões, que permitiu uma redução» da sua «dependência do contribuinte para apenas 275 milhões», uma descida de 54% em relação a 2009.

Este ano, disse o gestor, a EP entra num «novo ciclo», porque «inicia o pagamento do programa de subconcessões [rodoviárias] lançadas em 2008», o que se traduz «num incremento significativo da despesa efetiva a suportar» pela empresa face aos anos anteriores.

«Já após negociações, este incremento representa uma receita previsível e estimada na ordem dos 400 milhões [de euros] que, eventualmente, poderá ainda ser ligeiramente otimizada», acrescentou.

Para este ano, o presidente da EP afirmou não poder «prometer um resultado positivo».

«Tendo 144 milhões [de euros] de encargos financeiros capitalizáveis eles vão ter de ser acomodados no futuro», argumentou.

Neste contexto, António Ramalho considerou que «2014 reabre um novo ciclo», com a empresa «em busca, de novo, da sustentabilidade perdida».

«De alguma maneira, isto é como acabar uma maratona, chegar ao fim dos 42 quilómetros e agora ter que correr mais 42, mas nós estamos disponíveis a percorrer esses 42 quilómetros novos», concluiu.

Em 2013, a EP registou um lucro de 15 milhões de euros, uma queda de 60% em relação aos 37 milhões de euros registados no ano anterior.

A receita de portagens permitiu à empresa um encaixe de 290 milhões de euros em 2013.

Impugnados 2 concursos para conservação da rede

Dois dos 18 concursos para conservação corrente da rede da Estradas de Portugal (EP) estão impugnados, disse o presidente da empresa.

«São 18 concursos. Temos alguns encerrados e temos algumas impugnações em curso. Neste momento, dois impugnados», disse o gestor, em resposta às questões dos jornalistas, durante a apresentação dos resultados de 2013 da EP.

António Ramalho adiantou ainda que dois dos concursos não tiveram reclamações e disse que nenhum está contratado, adiantando que a contratação deverá ser feita durante o mês de março.

O gestor salientou que as «discussões que existem são de caráter técnico e não de caráter financeiro», adiantando que a empresa não espera qualquer «custo adicional» devido a esta situação.

O presidente da EP disse ainda que, em média, houve 10 concorrentes para cada um dos 18 concursos.

Os 18 concursos, um por cada distrito, visam a conservação da rede de estradas da EP, com cerca de 14.100 quilómetros, durante o período compreendido entre o próximo ano e 2016.

Os contratos, com um «custo global» de cerca de 106 milhões de euros, equivalem a um valor médio de 2.500 euros por quilómetro em cada ano, segundo uma informação divulgada pela empresa em dezembro.