O Fundo Monetário Internacional piorou em 0,3 pontos percentuais a previsão do crescimento económico na zona euro para este ano, estimando agora um aumento médio de 0,8% do PIB nos países da moeda única.

A instituição liderada por Christine Lagarde reviu em baixa também o crescimento da zona euro para 2015, prevendo que se fixe nos 1,3% e não nos 1,5% estimados na atualização ao World Economic Outlook de julho.

Para Portugal, a estimativa para 2014 também baixou 0,2 pontos percentuais, para 1%, em linha com estimativa do Governo. Para 2015 a previsão de crescimento mantém-se nos 1,5%.

Segundo as previsões económicas presentes no documento hoje divulgado pelo FMI, os países da moeda única deverão registar uma taxa de desemprego de 11,6% este ano e de 11,2% no próximo. Já a inflação deve fixar-se nos 0,5% em 2014 e nos 0,9% em 2015.

O FMI defende que «a prioridade» na zona euro é «reforçar a recuperação económica, aumentar a inflação e alavancar o crescimento a médio prazo através de políticas monetárias, de um reforço dos balanços dos bancos e das empresas, da implementação de reformas estruturais e da implementação da união bancária».

A previsão do FMI é de uma «recuperação modesta e de uma inflação moderada» para a zona euro, além de ser espectável um “crescimento desigual” na região, mais forte na Alemanha e em Espanha, mas mais fraco em França e Itália.

O Fundo estima que a Alemanha cresça 1,4% este ano (1,5% em 2015), Espanha 1,3% (1,7% no próximo ano) e França 0,4% (1% em 2015). Já Itália deve recuar 0,2% este ano e crescer 0,8% no próximo.

A instituição reviu também em baixa ligeira as perspetivas de crescimento da economia mundial, esperando que cresça apenas 3,3% em 2014 e 3,8% em 2015.

Economia global também deve crescer menos

O Fundo, que em julho antecipava um crescimento de 3,4% em 2014, estima agora que a economia global aumente 3,3% este ano, uma redução de 0,1 pontos percentuais.

Quanto a 2015, nas previsões de julho, a instituição liderada por Christine Lagarde estimava que a economia global crescesse 4% e, nas previsões hoje divulgadas, calcula um crescimento inferior em 0,2 pontos percentuais, de 3,8%.

O Fundo justifica esta revisão em baixa das suas previsões com o facto de o crescimento na primeira metade de 2014 ter sido inferior ao projetado, o que refletiu uma série de «surpresas negativas», incluindo o desempenho mais fraco dos Estados Unidos da América, o crescimento estagnado na zona euro e a progressão da economia nipónica abaixo do previsto.

No documento, o Fundo alerta que os riscos para o crescimento económico mundial aumentaram, sobretudo no que diz respeito ao agudizar das tensões geopolíticas no Médio Oriente e entre a Rússia e a Ucrânia e o impacto que têm na confiança dos mercados financeiros globais e no preço do petróleo.