O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, disse esta sexta-feira que o Estado deve continuar a ser o principal acionista dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), como forma de defender o «interesse nacional».

«O Governo deve olhar para a empresa com olhos de ver, apostar nela, manter o Estado como o principal acionista, independentemente de alguns laivos de reprivatização», afirmou Carlos Silva, após reunir-se com a comissão de trabalhadores e a administração dos estaleiros.

Assumindo que só com manutenção da empresa na esfera pública é possível «garantir a defesa do interesse nacional», o líder da UGT admite que toda a região está «afetada» pela indefinição sobre o futuro dos ENVC, que se arrasta há mais de dois anos.

«Achamos que há aqui um critério de política danosa que não serve os interesses dos trabalhadores, da empresa e da economia nacional. Este Governo também tem o dever, já que fala de fomento industrial e de reindustrialização do país, de olhar para os estaleiros navais», disse aos jornalistas, no final da visita ao maior construtor naval português.

Uma investigação das autoridades europeias da concorrência às ajudas públicas atribuídas desde 2006 aos ENVC levou o governo português a cancelar, em abril, a reprivatização da empresa, ao fim de um ano de processo.

A Comissão Europeia pretende apurar se esses apoios se enquadram nas regras comunitárias de auxílios estatais. Caso conclua pela sua irregularidade, os ENVC serão obrigados a devolver esse montante.

Por entender que a empresa não dispõe dos 181 milhões de euros para devolver ao Estado, o ministro da Defesa Nacional anunciou o encerramento dos ENVC, avançando até outubro, em alternativa, com um concurso internacional para subconcessão dos atuais terrenos e infraestruturas, mas sem garantias sobre os atuais 620 trabalhadores.

Já para o líder da UGT, existem «condições de viabilidade económica» dos estaleiros, algo que aquela central sindical pretende defender na concertação social, até porque a empresa é «a alma» do tecido social e económico do concelho de Viana do Castelo.

«Tem que haver vontade política do Governo e não fazer dos trabalhadores e da empresa um joguete nas mãos de interesses que ultrapassam a órbita de intervenção dos estaleiros», rematou Carlos Silva.