Uma delegação de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) entregou esta segunda-feira à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, uma petição contra o «crime social» que será um futuro despedimento coletivo na empresa.

Para «sensibilizar» a presidente da AR mas também o ministro da Defesa e o primeiro-ministro e todo o parlamento, a delegação de trabalhadores entregou a Assunção Esteves uma petição em defesa da empresa, documento que já conta com mais de 8.500 subscritores.

«Viemos alertar a presidente da AR para todo este crime social que possa vir a ser cometido em Viana do Castelo», disse aos jornalistas o porta-voz da comissão de trabalhadores, António Costa, dias antes da administração dos ENVC assinar com o grupo Martifer o contrato de subconcessão dos terrenos, infraestruturas e equipamentos dos estaleiros.

«É para isto que viemos aqui a Lisboa, mais uma vez para sensibilizar contra o despedimento que vai ser feito se este plano da subconcessão se vier a concretizar», assinalou António Costa no final de um encontro de cerca de uma hora com Assunção Esteves.

Mais de 150 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) já comunicaram à administração a intenção de aderirem ao plano de rescisões amigáveis, juntando-se aos 64 que assinaram os acordos nos últimos dias.

De acordo com números da empresa, as rescisões concretizadas até à última sexta-feira representam cerca de cinco milhões de euros pagos em indemnizações a 64 trabalhadores.

Contudo, fonte da administração dos ENVC ressalvou à agência Lusa que «mais de 150 trabalhadores» já comunicaram a intenção de aderirem a este plano de rescisões, podendo concretizar a assinatura dos respetivos acordos nos próximos dias.

A administração dos ENVC assina na sexta-feira, com o grupo Martifer, o contrato de subconcessão dos terrenos, infraestruturas e equipamentos dos estaleiros. Por este contrato, o grupo privado, que criou para o efeito a empresa West Sea Estaleiros Navais, pagará ao Estado uma renda anual de 415 mil euros, até 2031, conforme concurso público internacional que venceu.

A West Sea deverá começar a recrutar 400 dos 609 trabalhadores dos ENVC nos próximos dias. Entretanto, os trabalhadores continuam a ser convidados a aderir a um plano de rescisões amigáveis, que vai custar 30,1 milhões de euros e que prevê o acesso ao subsídio de desemprego e à reforma.