O presidente da Empordef, Vicente Ferreira, afirmou esta terça-feira que os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) tinham «um défice de imagem terrível» e que, apesar dos esforços, não teve sucesso na angariação de encomendas.

«Tínhamos um défice de imagem terrível», afirmou Vicente Ferreira, que foi hoje ouvido na comissão parlamentar de Defesa, na sequência de requerimentos do PSD e do CDS-PP, aprovados por unanimidade na semana passada.

Questionado pelo PCP e pelo BE sobre a razão pela qual o Governo não conseguiu angariar negócios que viabilizassem economicamente os ENVC, Vicente Ferreira deu exemplos dos «esforços» feitos, referindo que andou «de porta em porta», e que foram utilizadas as vias diplomáticas e políticas «sem sucesso».

«Não tivemos sucesso, é bom que se diga, há que ser honesto», disse, justificando que depois de o Governo dos Açores ter rejeitado o ferry «Atlântida» e face às públicas dificuldades financeiras da empresa ficou «um passivo de imagem» que não foi ultrapassado.

Segundo o presidente da Empordef (Empresa Portuguesa de Defesa), houve uma tentativa para vender navios à Armada brasileira, que declinou a possibilidade, por ter concluído que os ENVC «eram incapazes de concluir um projeto».

A deputada do PCP Carla Cruz questionou ainda Vicente Ferreira por que é que o Estado não utilizou uma figura prevista no Código do Trabalho que prevê a «transferência de trabalhadores» para outra empresa.

Pelo BE, a deputada Mariana Aiveca perguntou se havia algum «plano B» face à possibilidade de os cerca de 600 trabalhadores não aderirem ao plano de rescisões previsto pela administração e o que irá acontecer quando a empresa encerrar definitivamente.

Vicente Ferreira frisou que o caderno de encargos para a subconcessão não podia prever qualquer «transferência» que pudesse pôr em causa a «descontinuidade da atividade económica» dos ENVC.

Quanto ao destino dos trabalhadores, o presidente da Empordef manifestou-se «confiante de que haja um nível de adesão elevado».

«Por mim evitaria tudo para evitar o despedimento coletivo», acrescentou.