O presidente da Câmara de Viana do Castelo alertou esta terça-feira que a possível venda de gruas e guindastes dos estaleiros navais da cidade para sucata poderá inviabilizar a retoma da atividade pelo novo subconcessionário da empresa pública.

Em causa estão sete guindastes, cinco gruas e quatro plataformas elevatórias dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) que ficaram fora da subconcessão dos terrenos e infraestruturas da empresa à West Sea (grupo Martifer), colocados à venda por quase dois milhões de euros.

O primeiro leilão deste material pesado terminou segunda-feira sem qualquer proposta de compra, mas novo procedimento de venda, revendo o preço base pedido pela empresa, deverá ser lançado nos próximos dias, indicou à Lusa fonte da administração dos ENVC.

Hoje, em comunicado, o autarca socialista José Maria Costa afirma que se estes meios de elevação forem vendidos isso «inviabilizará» os «trabalhos de reparação e construção naval» do novo subconcessionário. Isto numa altura em que a empresa Douro Azul já confirmou estar a negociar a construção de quatro navios em Viana do Castelo, para um armador estrangeiro, por cem milhões de euros.

«No caso de [os meios de elevação] serem vendidos para sucata vão também inviabilizar que a West Sea efetue os trabalhos da Douro Azul já que os equipamentos em causa são fundamentais para este ramo de atividade industrial», afirma José Maria Costa.

O autarca de Viana do Castelo, crítico do processo de subconcessão decidido pelo Governo, lança mesmo um «apelo» ao «diálogo entre o Ministério da Defesa e a empresa subconcessionária dos ENVC» para que «se inicie uma negociação amigável entre as duas partes, de forma que a empresa tenha condições técnicas e operativas para a construção dos navios».

Anteriormente, fonte do ministério da Defesa Nacional tinha já esclarecido à Lusa que a venda dos bens móveis da empresa - cerca de 20.000 itens que ficaram fora da subconcessão - tinha de ser feita de forma concorrencial, face à investigação em curso em Bruxelas às ajudas públicas atribuídas aos ENVC desde 2006, e como forma de demonstrar a descontinuidade da sua atividade.

Já para o autarca, a situação «demonstra que este dossiê não foi preparado nem pensado para viabilizar a atividade da reparação e construção naval que existe em Viana do Castelo há setenta anos». Demonstrando antes, diz, que «o interesse do Ministério da Defesa foi unicamente o encerramento da empresa por razões ideológicas e o desmantelamento de toda a sua atividade».

Um dos leilões a repetir nos próximos dias diz respeito aos sete emblemáticos guindastes dos estaleiros, com capacidade de carga que vai das dez às 100 toneladas (t). Só pelos dois mais relevantes e históricos guindastes da empresa (100t) - visíveis a vários quilómetros da cidade -, os estaleiros pediam, no procedimento anterior, 800 mil euros.

A West Sea, empresa criada pelo grupo Martifer, quer assumir a subconcessão dos ENVC a 02 de maio, já com uma carteira de encomendas de reparação e construção naval, disse à Lusa fonte oficial da empresa.