A administração da Martifer reafirmou esta sexta-feira a intenção de criar 400 postos de trabalho com a subconcessão dos estaleiros navais de Viana, os quais serão recrutados «prioritariamente» entre os agora ex-trabalhadores da empresa pública.

Fonte da administração daquele grupo privado, que venceu o concurso da subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), reagia desta forma ao anúncio de adesão praticamente total dos 607 trabalhadores ao plano social lançado pela administração, para rescisão amigável dos contratos.

«A administração da Martifer congratula-se com a forma como correu a implementação deste plano social, porque sempre defendeu a paz social ao longo deste processo», disse a fonte.

Além disso, a administração daquele grupo, que criou a empresa West Sea para assegurar esta subconcessão, «reafirma» a «intenção de criar 400 postos de trabalho» com este novo projeto em Viana do Castelo, «a recrutar prioritariamente entre os ex-trabalhadores dos ENVC».

A entrada da Martifer na empresa está ainda condicionada à venda, em concurso público, de mais de 20.000 bens móveis dos ENVC, o que deverá acontecer até ao mês de abril, segundo o calendário apontado em janeiro, aquando da assinatura do contrato de subconcessão, até 2031.

Entretanto, apenas onze dos trabalhadores dos ENVC não aceitaram rescindir os respetivos contratos no âmbito do plano social, segundo números avançados à Lusa por fonte da empresa.

Assim, do total de 607 trabalhadores que estavam ao serviço em dezembro, e segundo a mesma fonte, 596 comunicaram a intenção de rescindir os contratos e 209 formalizaram entretanto os acordos para saída voluntária da empresa.

Os restantes acordos (387) serão rubricados nos próximos dias e a saída consumada até final do mês.

Até 31 de janeiro, na primeira versão do plano social proposto pela administração dos ENVC, com indemnizações globais de 30,1 milhões de euros, tinham aderido cerca de 150 trabalhadores.

Este plano, lançado pelo fecho da empresa e subconcessão ao grupo Martifer, foi revisto e a sua validade prolongada até às 16:00 de hoje, incorporando os contributos dos representantes sindicais, mandatados para o efeito pelos trabalhadores dos ENVC.

Além disso, segundo dados da empresa, cerca de 230 trabalhadores estão em condições de aceder à pré-reforma.

«Esta adesão demonstra que o plano social trabalhado em conjunto com os sindicatos era equilibrado e positivo. O consenso alcançado permite encarar o futuro social e laboral com confiança», disse à Lusa, durante a tarde, fonte oficial do Ministério da Defesa Nacional, que conduziu as recentes negociações com os sindicatos.