O secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Manuel Vaz, afirmou esta quinta-feira que o facto de Portugal estar a crescer acima da média dos países da Europa «não é, por si só, um bom sinal», pois a Europa «está estagnada».

Falando no último dia do 24º Congresso das Comunicações, que decorre no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Manuel Vaz referiu que «Portugal está a crescer pouco, a convergir e a crescer a um nível superior ao da Europa, mas isto não é bom sinal, pois a Europa está estagnada».

Castro Almeida mostrou ainda a sua preocupação com a perda de competitividade da Europa, lembrando também que há que «devolver um novo impulso» a este nível nos próximos anos.

Neste sentido, realçou que a afirmação da Europa passa, no plano político, pela luta, nomeadamente, contra «os egoísmos nacionais» e, no plano da economia, por um investimento baseado num «impulso do relançamento no potencial criativo das 272 regiões da União Europeia».

«O investimento na Europa, entre 2008 e 2013, caiu 30% no conjunto da União Europeia e naqueles países que mais sofreram com a crise recuou 60%», salientou.

Por isso, o investimento «é visto com grande expetativa» para que haja «um relançar da Europa», frisou, adiantando que «cada país contém um potencial criativo [no qual deve apostar] e é esse o segredo».

Ainda a propósito do relançamento do investimento, Castro Almeida referiu-se aos novos fundos comunitários para 2014/2020.

A este nível, alertou para o facto de até agora se ter vivido «num paradigma de equidade», baseado também na ideia de assistência aos países menos desenvolvidos com o objetivo de minorar as assimetrias na Europa, através da atração da atividade produtiva via infraestruturas, estradas, portos, isto é, da «urbanização da Europa».

Mas os fundos comunitários canalizados para os países europeus menos desenvolvidos «não foram suficientes», num mundo global, para aumentar a competitividade da Europa.

Daí que a ideia de «equidade esteja agora a deslocar-se para o eixo da competitividade», baseada no investimento assente «no relançamento do potencial criativo».

Segundo Castro Almeida, é por aí que Portugal deve ir, apostando na «fórmula mágica» de que se fala: «investimento inteligente, sustentável e inclusivo», para se criar competitividade, crescimento económico e emprego.

O problema da excelência do investimento e do seu aumento passa muito pelo «potencial transformador dos fundos comunitários para 2014-2020», que agora estão orientados para o cumprimento de objetivos por parte dos promotores (empresas) e já não para o volume de investimento realizado.

Os fundos comunitários terão agora «uma orientação para os resultados, não interessando os volumes [investidos]», esclareceu.

Nesse sentido, Portugal, nomeadamente ao nível das tecnologias de informação poderá vir a «tirar partido» do aumento do investimento e de uma «clara aposta» nos resultados da investigação nas empresas.

Por sua vez, Luís Amado, antigo-ministro dos Negócios Estrangeiros, que também falou sobre a “Europa: Que Futuro?”, alertou para o posicionamento geopolítico e geoestratégico da Europa que está «a condicionar muito» Portugal e as empresas nacionais.

«A Europa tem uma frente de instabilidade interna e externa [nas suas fronteiras] que tem sido mal compreendida», realçou, o que para além de problemas de segurança e defesa coloca também questões ao nível da competitividade numa economia global.