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A forma diferente de viver e de trabalhar obrigou a uma adaptação. «A primeira vez que o meu diretor arrotou numa reunião de trabalho, fiquei um pouco chocada. Mas aquilo para eles é a coisa mais natural do mundo… às tantas habituei-me», exemplifica. «Outra coisa peculiar é que os chineses me pediam a toda a hora para tirar fotografias comigo, como se eu fosse uma celebridade. Às vezes eram as mulheres que me vinham pedir para eu tirar fotografias com os maridos delas. E eu achava aquilo tudo muito estranho», ri.



Mas o melhor (ou não…) estava para vir. «Aquilo era banda desenhada online, não era paga, não havia publicidade no site, e eu estranhei não haver receita. Uma vez estava a almoçar com os meus colegas e perguntei de onde vinha o dinheiro», lembra. Lá lhe contaram que a empresa fazia dinheiro era a gerir sites pornográficos. A banda desenhada era apenas uma fachada e o Inov nunca soube de nada. «Tive pena, porque nunca cheguei a trabalhar nessa área», brinca.

«Desenvolvi as línguas e ganhei outras competências, por isso não foi tempo perdido. Agora, não foi exatamente o que eu esperava profissionalmente». Faz questão de dizer que sempre foi muito bem tratado e se deu muito bem com os colegas de trabalho. «No final ainda me perguntaram se eu gostava de ficar. Eu respondi que gostava muito deles, mas não era aquilo que eu queria profissionalmente», conta.




Raquel Ferreira adaptou-se facilmente a Cabo Verde e aos cabo-verdianos. «São um povo genuíno, sincero, aberto. Foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, ir para aquele país e estar com aquelas pessoas».


«Fiz muitos amigos, viajei muito. A vantagem de estar em Macau é que facilmente se apanha um avião para Tailândia, Vietname, Camboja…». E Ana apanhou-os todos, e mais alguns.




«O melhor foi conviver com as pessoas, estar naquele ambiente onde é tudo tão diferente. Por exemplo, eu fazia questão de ir às discotecas típicas, com aquela música deles».


«Eu ainda não fiz mestrado, só tenho licenciatura. Isso hoje em dia toda a gente tem, é a experiência internacional que me distingue. Se eu não tivesse tido a experiência internacional, provavelmente hoje estava desempregada, porque há muita gente a concorrer para os mesmos anúncios, e muitas têm mais qualificações», resume. «Mas mesmo a nível pessoal é muito bom, para abrir horizontes».




Raquel também está a trabalhar há seis meses numa empresa em Portugal mas também não deve ficar por aqui. «Estou aqui mas não me sinto bem cá. Sou portuguesa, gosto muito de Portugal, mas essa experiência fez com que eu queira andar pelo mundo fora».