O Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) disse esta quarta-feira que o Orçamento do Estado (OE) para 2015 «não frusta expectativas» porque as esperanças da confederação «já não eram altas».

«A CIP esperava que este OE assumisse um papel positivo no relançamento da economia e por isso esperávamos que em 2015 se iniciasse um processo de redução gradual, mas programada, da carga fiscal», disse António Saraiva à agência Lusa.

Para a CIP era igualmente importante a previsibilidade fiscal, a extinção da sobretaxa e o favorecimento à capitalização de empresas, com um quadro fiscal mais favorável ao reforço de capitais próprios.

António Saraiva lamentou que não tivesse sido feita a reforma do Estado, já que este devia ter sido o elemento central da estratégia de desenvolvimento pós-troika.

Defendeu ainda que o OE 2015 devia conter medidas concretas de apoio à economia.

«Tirando isto, o Orçamento do Estado não pode trazer nada de substancialmente melhor do que aquilo que traz», frisou António Saraiva.

O dirigente da CIP disse ainda ter ficado surpreendido com o aumento da contribuição de serviço rodoviário, em 160 milhões de euros, que se vai refletir no preço dos combustíveis, no custo dos transportes e que vai penalizar as empresas nas suas distribuições.

«A isto há que somar as surpresas que a fiscalidade verde pode vir a revelar sobre as atividades económicas, uma vez que as atividades económicas contribuirão com cerca de 85 milhões de euros, sendo que 70 serão relativos à taxa de carbono», acrescentou.