A administração da Espírito Santo Saúde (ESS) considera que a contrapartida contemplada na Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela seguradora Fidelidade é «aceitável», de acordo com um relatório divulgado esta segunda-feira pelo supervisor do mercado.

«A contrapartida oferecida pela Oferente de 4,82 euros por ação afigura-se aceitável, uma vez que se enquadra nos critérios de valorização do mercado analisados», lê-se no relatório do Conselho de Administração sobre a oportunidade e condições da oferta da Fidelidade que a Lusa cita.

Entre os critérios mencionados em termos da contrapartida estão o preço da Operação Pública de Venda (OPV), o desempenho da ação desde a estreia em bolsa, os múltiplos de congéneres cotadas e transações comparáveis, a evolução das perspetivas dos analistas e o potencial de criação de valor resultante da aquisição, segundo o documento disponibilizado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Além do preço, a equipa de gestão da ESS abordou outras questões relacionadas com a oferta da Fidelidade, como é o caso da estabilidade acionista.

«Uma conclusão com sucesso da Oferta Concorrente Fidelidade afigura-se um meio para a obtenção da necessária estabilidade acionista da ESS, permitindo, por um lado, que a ESS possa retomar a sua gestão estratégica de médio e longo prazo, indo além da gestão corrente, através da continuação do desenvolvimento dos seus planos de expansão já anunciados, e, por outro, a normalização da relação com os vários stakeholders», sublinhou.

Mais, a administração disse «existir um alinhamento estratégico entre a Oferente e a ESS, uma vez que aquela, não só tomou por base o plano estratégico da ESS para definir a sua linha estratégica relativamente à ESS, como também manifesta que não são esperadas alterações substanciais a respeito da atividade empresarial desenvolvida pela mesma».

E salientou que «uma eventual conclusão com sucesso da Oferta Concorrente Fidelidade não implicará um movimento de concentração horizontal de empresas, não alterando o atual cenário de liberdade de escolha dos trabalhadores e clientes/pacientes e não afetando substancialmente o equilíbrio atual do mercado ao nível das seguradoras/sistemas de saúde/pagadores e dos fornecedores e Estado».

Na semana passada, a administração da ESS também tinha considerado «aceitável» o valor oferecido na OPA lançada pelo grupo mexicano Ángeles (4,50 euros), enquanto que o preço oferecido pela José de Mello Saúde (4,40 euros) foi considerado insuficiente.

Refira-se que, na sexta-feira, o Grupo Mello fez saber que mantém o pedido de registo da OPA sobre a ES Saúde, aguardando uma resposta da CMVM, que já respondeu que só avançará com o registo caso a empresa prescinda da autorização da Autoridade da Concorrência (AdC).

Isto, depois de na véspera (quinta-feira) Salvador de Mello, líder da José de Mello Saúde, ter anunciado publicamente que «se viu obrigado» a retirar a OPA sobre a ESS «perante as condições impostas pela CMVM», relacionadas, sobretudo, com a questão ligada ao tempo necessário para obter uma decisão da AdC sobre o negócio.

Por sua vez, a United Healthcare Group, dona da brasileira Amil, que comprou o negócio da saúde à Caixa Geral de Depósitos, pretende adquirir a participação de 51% detida pela Espírito Santo Health Care Investiments (controlada pela 'holding' Rioforte) no capital social da ES Saúde por aquisição particular, fora de bolsa.

Tal como o Ángeles, a Fidelidade impõe como condição para concretizar a operação a obtenção de um mínimo de 50,01% do capital da empresa.

A ES Saúde é detida maioritariamente pela Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo (GES), e é dona, entre outros ativos, do Hospital da Luz, em Lisboa, e gere, em regime de Parceria Público-Privada, o Hospital de Loures.

No final de maio, a ES Saúde anunciou que o seu lucro quase duplicou em termos homólogos no primeiro trimestre do ano, para 4,6 milhões de euros.

As ações da ESS fecharam a sessão desta sgunda-feira a subir quase 1% para 4,916 euros.