Já terminou o prazo para o lançamento de ofertas públicas de aquisição da Espírito Santo Saúde, concorrentes da única que está em cima da mesa, que pertence à Fidelidade. A seguradora foi vendida em maio à chinesa Fosun, que pagou mil milhões de euros pela Caixa Seguros, que na altura englobava a Fidelidade e a Multicare.

O grupo mexicano Ángeles e o grupo José de Mello Saúde desistiram da oferta, mas os norte-americanos da Unitedhealth, dona da Amil continuam na corrida, apesar da ES Saúde já ter feito saber que prefere uma OPA a um negócio fora do mercado.

Recorde-se que empresa norte-americana propôs, numa negociação direta, a compra da totalidade das ações da Espírito Santo Saúde, detidas pela Espírito Santo Healthcare, por 4,75 euros por ação.

Os mexicanos Ángeles foram o primeiro grupo a lançar a OPA, a 19 de agosto, estabelecendo o preço de 4,35 euros por ação. Um mês depois, a 19 de setembro, o grupo retificou o valor da oferta para 4,50 por ação, depois de o grupo José de Mello Saúde ter entrado na corrida e oferecer 4,40 euros por ação, no dia 11 de setembro.

No dia 23 de setembro foi a vez da Fidelidade lançar uma OPA sobre a Espírito Santo Saúde, oferecendo 4,72 euros por ação, mas aquando do registo da oferta, a contrapartida foi revista em alta para os 4,82 euros.

Dois dias depois, a 25 de setembro, a José de Mello Saúde anunciou que desistia da OPA, mas que continua interessado na área da saúde do grupo Espírito Santo. No dia 30 foi a vez dos mexicanos comunicarem à CMVM que desistiam da oferta sobre a Esprito Santo Saúde.


Tribunal do Luxemburgo tem uma palavra no negócio

A Rioforte é a acionista maioritária da Espírito Santo Healthcare Investments, que tem 51% da Espírito Santo Saúde. Como a empresa está num processo de gestão controlada, a decisão será tomada no dia 17 de outubro, segundo o Expresso, dia em que a juíza do Tribunal do Comércio do Luxemburgo decidirá sobre o futuro da Rioforte. A decisão estava agendada para dia 6 deste mês, mas foi adiada. Mas a decisão da OPA pode vir mais cedo, à semelhança do que aconteceu com a venda da Espírito Santo Viagens. O anúncio da decisão sublinhava o «ok» do tribunal luxemburguês.

Mais de 80 por cento do volume de negócios da hospitalização privada em Portugal está nas mãos dos grupos Mello Saúde, Espírito Santo Saúde, Lusíadas e Trofa Saúde.

No final de maio, a ES Saúde anunciou que o seu lucro quase duplicou em termos homólogos no primeiro trimestre do ano, para 4,6 milhões de euros.

A Espírito Santo Saúde detém, entre outros, os hospitais da Luz, em Lisboa, Beatriz Angelo, de Loures, e da Arrábida, no Porto.

A empresa tem uma rede de 18 unidades, onde se incluem oito hospitais privados, um hospital gerido para o SNS em regime de parceira público-privada, sete clínicas privadas a operar em regime de ambulatório e duas residências sénior. No seu conjunto, o grupo gere 1.200 camas e tem 8.900 colaboradores.