O resgate ao setor bancário espanhol, que envolveu a injeção de 41.300 milhões de euros e a nacionalização de várias entidades, terminou esta quinta-feira oficialmente às 00:00, com aplausos da troika, mas com alertas sobre os desafios que permanecem, nota a Lusa.

Espanha junta-se assim à Irlanda como o segundo país a pôr fim a programas europeus de apoio, sendo que neste caso a assistência foi apenas para o setor bancário e Madrid apenas utilizou menos de metade dos 100 mil milhões de euros disponibilizados pela zona euro.

A maior fatia, cerca de 30 mil milhões de euros, foi para o nacionalizado Bankia, entidade que no último ano registou melhorias significativas nas contas.

Na sua última declaração conjunta, em meados de dezembro a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) considerava que Espanha cumpriu todas as condições impostas para o resgate ao setor bancário, recomendando porém, que o Governo continue a vigiar «de perto» a estabilidade do setor.

Desafios como o crédito malparado nas contas da banca espanhola - chegou em outubro aos 13%, o valor mais elevado em meio século - e o ambiente económico que «continua a pesar no setor bancário», apesar das melhorias recentes.

«A rentabilidade do setor bancário ver-se-á afetada nos próximos anos por uma contínua pressão na qualidade dos ativos, também devido à queda adicional dos preços da habitação, já que o ajuste no mercado imobiliário se reduziu, mas ainda não se completou», referem os relatórios.

«Por isso, os supervisores e os legisladores devem continuar a vigiar de perto o funcionamento e a estabilidade do setor bancário», sublinha.

Destacam, em particular, a necessidade de «realizar uma preparação adequada» para a revisão de balanços e para a nova ronda de testes de stress que o BCE levará a cabo em 2014.

Em particular, recomenda, devem merecer especial atenção «os bancos que, atualmente, são propriedade do FROB, para garantir um modelo de negócios e um governo adequados para que estas entidades avancem» para uma eventual reprivatização.

A troika reclama, além disso, à Sareb, que gere os ativos tóxicos dos bancos resgatados, que continue com os seus esforços para vender a carteira imobiliária, «procurando maximizar os resultados financeiros e contribuir para o adequado funcionamento do mercado imobiliário de Espanha no seu conjunto».

Em comunicado divulgado esta semana, o vice-presidente europeu Olli Rehn considerou que o programa de assistência à banca espanhola «funcionou» apesar dos «desafios consideráveis» que Portugal enfrenta.

«O programa alcançou o objetivo duplo de reparar e reformar o setor financeiro espanhol e, deste modo, criar uma base sólida para a recuperação económica», disse, referindo aos 18 meses de duração do programa.

«As reformas devem continuar e a consolidação orçamental deve continuar segundo o acordado», sublinha.