O Governo espanhol mandou suspender o processo de adjudicação de vários troços da ligação de alta velocidade ferroviária no corredor da Extremadura, que liga à fronteira portuguesa, por ter detetado irregularidades.

Em causa estão eventuais benefícios que um grupo de empresas poderia ter conseguido por, alegadamente, dispor de informação privilegiada sobre os concursos.

A ordem de suspensão foi dada por Rafael Catalá, secretário de Estado de Infraestruturas, e por Gonzalo Ferre, presidente da ADIF (Administrador de Infraestruturas Ferroviárias), empresa que gere as redes ferroviárias espanholas.

O jornal espanhol Expansion refere que os contratos afetados pela suspensão correspondem a obras que a ADIF estava prestes a adjudicar no corredor até à Extremadura.

Incluem vários troços da plataforma de via que, no total, ascendiam a 100 milhões de euros.

Fontes do Governo e da ADIF confirmaram ao jornal a existência de anomalias nos concursos, explicando que podem mesmo constituir um delito por parte dos funcionários públicos que terão divulgado a informação privilegiada.

Desconhece-se, para já, a identidade das empresas alegadamente envolvidas, tendo fontes da ADIF destacado o facto de os problemas terem sido detetados a tempo.

A racionalização do orçamento de investimento público em infraestruturas está a suscitar forte concorrência entre as empresas, com quedas nos preços de licitação.