O défice público de Espanha em 2014 foi de 5,7% do PIB, duas décimas acima do objetivo fixado pelo Governo espanhol, mas abaixo do limite imposto pela Comissão Europeia.

«A Espanha cumpre os seus compromissos económicos e num contexto de aceleração da economia», declarou a vice-presidente do Governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros.

A vice-presidente, que também é porta-voz do Executivo, sublinhou que a «Espanha está entre os países da UE que mais crescem» e realçou que isso «é fruto do plano reformista do Governo».

A Comissão Europeia tinha fixado nos 5,8% do PIB o limite para o défice público espanhol.

Presente na conferência de imprensa, o ministro das Finanças espanhol, Cristóbal Montoro, explicou que o défice de 5,7% já inclui a devolução de um imposto sobre vendas a retalho de hidrocarbonetos que o Tribunal Superior de Justiça da UE considerou ilegal em fevereiro de 2014. Este imposto foi aprovado em 2002.

Este medida «one off» (ou seja, que tem impacto nas contas apenas uma vez) custou ao Estado espanhol 1,699 mil milhões de euros. Sem esta medida excecional, disse Montoro, o défice espanhol teria sido de 5,56%.

Face ao exercício de 2013, o Estado espanhol reduziu o seu défice em seis décimas (5,7% em 2014 contra os 6,33% do PIB no ano anterior).

Nas explicações sobre o défice, o Governo espanhol adiantou que as comunidades autónomas foram as que menos cumpriram os objetivos, com um défice de 1,66% do PIB (quando tinham um objetivo de 1%). Já a Administração Central, que inclui o Estado e a Segurança Social somou um défice de 4,6% (apenas uma décima acima da meta).

Em Espanha, apenas as comunidades de Navarra, Canárias, País Basco e Galiza cumpriram o objetivo de défice público em 2014. Por outro lado, quatro autonomias - Múrcia, Catalunha, Extremadura e Comunidade Valenciana – tiveram o dobro do desvio permitido, ou seja 2% do PIB.