
O Governo espanhol aprovou esta sexta-feira, em Conselho de Ministros, parte das medidas do plano de austeridade anunciado na quarta-feira pelo presidente do executivo, Mariano Rajoy, e que ascende a 65 mil milhões de euros.
As medidas aprovadas foram comunicadas aos jornalistas pela vice-presidente do Governo, Soraya Saénz de Santamaria, que compareceu em conferência de imprensa com os ministros de Economia (Luis de Guindos) e Fazenda (Cristóbal Montoro).
Entre as decisões aprovadas, explicou, conta-se a aprovação de dois acordos para a consolidação fiscal: o de «não disponibilidade de parte do orçamento» ministerial deste ano, e o de «medidas para assegurar a estabilidade orçamental» até 2014.
O Governo aprovou também reformas estruturais da administração local, a liberalização de horários comerciais e atividades profissionais e uma nova lei de costas e um calendário nacional de reformas para o segundo semestre.
«Até final do ano o Governo vai aprovar 20 leis para reformar a administração pública, ganhar em competitividade e melhorar a economia», disse Saénz de Santamaria, cita a Lusa.
Um conjunto de «decisões importantes, necessárias e inadiáveis» dada a situação «difícil que atravessa a economia espanhola» e que incluem medidas «que não são nem simples, nem fáceis, nem populares», explicou a governante.
Medidas adotadas como «responsabilidade, rigor e realismo» que exigem mais sacrifícios aos espanhóis, afirmou Saénz de Santamaria.
«Vivemos hoje um dos momentos mais difíceis e traumáticos da nossa história recente. Uma crise que se converteu num drama diário para milhões de espanhóis e que nos obriga a trabalhar para travar o défice, os problemas de crescimento e a situação do emprego», disse.
«Tentaremos atuar com a máxima justiça e equidade. É um momento difícil para os espanhóis e este Governo tem a obrigação de ajudar este país a crescer e a criar emprego», disse ainda.
Controlar as contas públicas, tantos pelas receitas como pelos gastos, é o objetivo «central» das medidas, que ocorrem num momento em que se pagam juros «insustentáveis a longo prazo» para financiar a dívida pública.
«Quero deixar uma mensagem de esperança. Este é o caminho. Temos que fazer mudanças para manter o que Espanha é e pode ser. E com esse esforço de unidade e responsabilidade de todos é possível conseguir», afirmou.
Enquanto decorria o Conselho de Ministros, no Palácio da Moncloa, cerca de meia centena de funcionários que trabalham no local saíram para as portas do palácio num protesto curto contra o novo plano de ajuste.
Com apitos, gritos de «assim não» e com as mãos no ar, os trabalhadores estiveram primeiro no recinto do Palácio e, mais tarde, no exterior do complexo.
Protestos idênticos repetiram-se em vários locais de trabalho públicos tanto em Madrid como noutras cidades espanholas.
A maior manifestação ocorreu na Puerta del Sol em frente à sede do Governo regional de Madrid.