
A recessão em Espanha, principal mercado das exportações portuguesas, não vai condicionar a agenda de reformas estruturais do Governo e a diversificação de mercados deixará a economia «menos vulnerável» a essas oscilações, disse esta segunda-feira o ministro da Economia.
Questionado pela Lusa sobre o eventual impacto que a recessão espanhola, prevista para este ano, terá no mercado de exportações nacionais, Álvaro Santos Pereira - que está em Madrid para se reunir com o ministro espanhol da Industria, Energia e Turismo - defendeu as reformas em curso para tornar a economia portuguesa mais competitiva.
A recessão, disse, «não irá condicionar a agenda de reforma estrutural em curso» que inclui medidas que «irão libertar o crescimento económico, removendo obstáculos a esse crescimento económico».
«Existe uma clara diversificação do destino das nossas exportações, com novos mercados. O mercado espanhol é muito importante mas é de assinalar essa diversificação que nos está a tornar menos vulneráveis a essas oscilações do mercado europeu».
O governante português considerou que os indicadores demonstram que a reestruturação da «economia real» já existe, principalmente no setor externo, com «valores recorde de taxa de cobertura nos últimos meses e claramente numa tendência crescente» e uma «diminuição bastante significativa do défice comercial».
«O grande problema que temos ao nível da economia portuguesa, o mais premente e que mais nos preocupa, é o endividamento da economia nacional como um todo, as famílias, as empresas, a parte pública, ao exterior».
«Só conseguimos combater a divida externa se aumentarmos as fontes de financiamento, poupando mais e atraindo mais capital para Portugal e principalmente combatendo o que é o maior problema de Portugal há décadas: o défice comercial».
Santos Pereira falou ainda num aumento das sinergias com Espanha no setor energético e admitiu que o custo do projeto de instalação de uma linha ferroviária de bitola europeia será conhecido «muito em breve».