Patrick Monteiro de Barros garantiu esta quarta-feira que deixou o Conselho de Administração da ESFG, principal acionista do BES, por uma questão de disponibilidade, mas que tem uma «forte convicção» de que os desafios no grupo «vão ser ultrapassados».

Na sequência do anúncio na terça-feira, da sua decisão de deixar o Conselho de Administração da Espírito Santo Financial Group (ESFG), o empresário emitiu hoje um comunicado «no sentido de evitar qualquer tipo de especulação que daí possa decorrer».

«Por razões de saúde, no último ano estive sujeito a tratamentos de grande exigência, que limitaram consideravelmente a minha disponibilidade. Essa fase foi, felizmente, ultrapassada com sucesso, mas entendo que, estando à beira dos 70 anos, este é o momento para me dedicar mais à minha família e me concentrar na atenção que devo dar à gestão das minhas empresas», esclarece o empresário.

Patrick Monteiro de Barros diz, no entanto, estar «consciente dos desafios que o Grupo Espírito Santo [GES] enfrenta», querendo, nesta altura, sublinhar «a forte convicção de que os mesmos serão ultrapassados, a bem dos acionistas, dos colaboradores e de todos quantos, ao longo do tempo, contribuíram para construir e fazer crescer um grupo empresarial que não perdeu a razão de existir».

Patrick Monteiro de Barros anunciou na terça-feira ter deixado o Conselho de Administração da Espírito Santo Financial Group (ESFG), principal acionista do BES, de acordo com informação enviada ao mercado.

No comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) na terça-feira, a ESFG informou que «Patrick Monteiro de Barros renunciou ao Conselho de Administração com efeito imediato», sem referir qual o motivo para a saída do empresário.

O BES está em reestruturação, sendo que a mudança mais significativa se prende com a saída da presidência executiva do líder histórico do banco, Ricardo Salgado.

No sábado, a ESFG anunciou que vai propor o economista Vítor Bento (atual presidente da gestora do Multibanco, SIBS) para presidente executivo e João Moreira Rato (atual presidente do IGCP, entidade responsável pela emissão e gestão da dívida pública) para administrador financeiro.

A ESFG, principal acionista do BES com 25% do capital do banco, aponta ainda o deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional Paulo Mota Pinto para o cargo de presidente do Conselho de Administração do banco (chairman).

As ações do BES seguiam a descer, pelas 09:13, 2,17% para 0,63 euros, enquanto as do ESFG lideravam as quedas no PSI20, ao perderem 13,7% para 1,26 euros.