
A Estradas de Portugal (EP) registou lucros de 144 milhões de euros em 2011, mais 40% que em 2010, «apesar dos constrangimentos verificados», anunciou a empresa.
O resultado alcançado no ano passado «foi suportado pelo EBIT [lucro antes de encargos financeiros e impostos], que passou de 249 milhões em 2010 para 433 milhões de euros em 2011», e pela margem de EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização], que superou os 25%.
Resultados que permitiram «contrariar a tendência de crescimento dos encargos financeiros, que passaram de 105 milhões para 230 milhões de euros em 2011».
O endividamento, por seu lado, cresceu 32%, ou 637 milhões de euros, um valor que a empresa afirma ser «inferior às responsabilidades pagas referentes às concessões do Estado e ex-SCUT, que atingiram 680 milhões de euros».
No total, o endividamento ascende agora a 2.630 milhões de euros, valor que «reflete o elevado esforço de investimento anualmente atribuído» à empresa para fazer face aos pagamentos com as concessões do Estado.
Em 2011, as necessidades de financiamento da Estradas de Portugal foram totalmente satisfeitas com o apoio do acionista Estado, já que a empresa não conseguiu obter financiamento junto dos mercados financeiros.
No ano passado, os custos com pessoal baixaram 13%, graças à «contenção salarial e redução do efetivo ao serviço da empresa que, entre 2007 e 2011, diminuiu em cerca de 450 funcionários, ou seja, mais de 30%. Em 2011, a redução face a 2010 foi de 23 funcionários, passando a empresa a contar no final do exercício com 1.164 colaboradores, que comparam com os 1703 existentes em 2007».
No ano passado, a EP distribuiu 10,2 milhões de euros de dividendos e fez pagamentos de IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas) de cerca de 121 milhões de euros.
Encargos com concessões ascendem a 3 mil milhões
Os encargos líquidos acumulados com as concessões rodoviárias pagos pela Estradas de Portugal entre 2007 e o ano passado, ultrapassaram 3.000 milhões de euros, segundo o relatório e contas da empresa.
«Os encargos líquidos acumulados com as concessões pagos pela EP entre 2007 e 2011 atingiram os 3.130 milhões de euros» (valor que inclui IVA), lê-se no documento.
Em 2011, os encargos líquidos com as concessões rodoviárias totalizaram 546 milhões de euros, menos 14 por cento em relação a 2010, quando atingiram os 633 milhões de euros.
«Esta redução deve-se ao crescimento das receitas de portagem cobradas pela EP, que atingiram 132,5 milhões de euros em 2011», refere, acrescentando que os encargos verificados em 2011 ficaram 7% abaixo da estimativa da empresa.
As receitas totais verificadas ficaram 46 por cento abaixo do previsto, essencialmente devido ao atraso verificado na introdução de portagens nas concessões do Algarve, Beira Interior, Beiras Litoral e Alta e Interior Norte, inicialmente prevista para 15 de abril, mas que apenas se concretizou no dia 08 de dezembro de 2011.
A EP salienta que, a partir de 2029, as receitas das concessões e subconcessões «são superiores aos encargos, o excedente líquido acumulado até 2050 é de 22 mil milhões de euros, o que demonstra que os benefícios económicos agregados ao contrato de concessão da EP são suficientes para fazer face à totalidade dos encargos suportados e a suportar».
Este ano, a EP estima que os encargos líquidos com as concessões atinjam os 476 milhões de euros, prevendo que baixem para 353 milhões, em 2013.
A EP foi mandatada pelo Governo e está a renegociar as subconcessões Autoestradas Transmontana, Baixo Tejo, Baixo Alentejo, Algarve Litoral, Litoral Oeste e Pinhal Interior.