Os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) vão entregar na Assembleia da República, na segunda-feira, uma petição em defesa da empresa, documento que já conta com mais de 4.000 subscritores.

A decisão foi tomada em plenário geral realizado esta quinta-feira na empresa e prevê a entrega desta petição em Lisboa, pelas Organizações Representativas dos Trabalhadores (ORT) dos ENVC, a 06 de janeiro.

O documento, explicou o porta-voz da comissão de trabalhadores, António Costa, reuniu mais de 4.000 assinaturas em cerca de um mês - a recolha continua entretanto em curso - e defende a paragem do processo de subconcessão (ao grupo Martifer) para «evitar» o encerramento da empresa pública.

No final deste plenário, que se prolongou durante uma hora e meia, e sem responder às perguntas dos jornalistas, António Costa limitou-se a ler o texto da moção aprovada por unanimidade, em que é reafirmado o «repúdio» à decisão do Governo de encerrar a empresa e despedir os 609 trabalhadores, através de propostas de acordos amigáveis de rescisão.

«Alertar os trabalhadores uma vez mais no sentido de não fazerem ou aderirem a qualquer tipo de acordos, pois os mesmos podem ser prejudiciais para o seu futuro», lê-se no texto da moção.

Ficou também agendado outro plenário geral para a próxima quinta-feira, para decidir a realização, ainda durante o mês de janeiro, de uma nova jornada de luta, em Viana do Castelo, envolvendo atuais e antigos trabalhadores, familiares e população.

Além disso, explicou António Costa, os ORT dos estaleiros pretendem «desenvolver todos os esforços» para serem recebidos pelo Presidente da República, pedido que já reclamam há precisamente dois anos.

O objetivo é transmitir a Cavaco Silva «todas as preocupações sociais e laborais que este escandaloso processo de subconcessão originará para o distrito de e para o país».

Os trabalhadores dos ENVC regressaram esta quinta-feira à empresa, após a habitual paragem do Natal, mas 42 já assinaram, entretanto, as rescisões amigáveis dos contratos, propostas pela administração.

Fontes ligadas a este processo indicaram à Lusa que a assinatura do contrato de subconcessão dos terrenos e equipamentos dos ENVC ao grupo Martifer deverá acontecer a 07 de janeiro, sendo o mesmo válido até 31 de março de 2031, conforme previsto no concurso internacional lançado em setembro.