O secretário-geral da CGTP disse hoje que o caso em torno dos Estaleiros de Viana está cada vez «mais nebuloso», criticando o Governo por pagar 30 milhões de euros «para as pessoas não trabalharem».

«É um processo que cada vez está mais nebuloso. Claramente há aqui qualquer coisa que visa favorecer os interesses da iniciativa privada», disse Arménio Carlos, referindo-se à subconcessão dos terrenos e equipamentos dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) à Martifer, processo que decorre em paralelo com a liquidação da empresa pública, nota a Lusa.

A assinatura do contrato de subconcessão, segundo fontes ligadas ao processo consultadas pela Lusa, deverá acontecer a 07 de janeiro, sendo o mesmo válido até 31 de março de 2031, conforme previsto no concurso internacional lançado em setembro.

Este processo implicará o despedimento dos atuais 609 trabalhadores dos ENVC - com indemnizações individuais entre os 6.000 e os 200 mil euros e acesso ao subsídio de desemprego -, mas 400 destes poderão ser recrutados pela nova empresa West Sea Estaleiros Navais já a partir deste mês.

"Não temos nada contra a iniciativa privada. Agora destruir-se uma empresa pública, com um projeto, com trabalhadores, com 'know-how', com pessoas que querem trabalhar, e depois gastarem-se 30 milhões de euros [em indemnizações para acordos de rescisão] para pagar para as pessoas não trabalharem, não faz sentido nenhum", sublinhou Arménio Carlos.

Afirmou ainda que nesta altura se "justificava" que a implementação de um comissão parlamentar à situação da empresa "fosse para a frente", conforme proposta do PCP.

O secretário-geral da CGTP participa hoje, nos estaleiros, em várias reuniões setoriais e numa reunião geral de trabalhadores agendada para as 15:30, da qual poderão sair novas formas de contestação ao encerramento dos ENVC.

Os trabalhadores regressaram esta quinta-feira aos estaleiros, mas 42 já assinaram, entretanto, as rescisões amigáveis dos contratos, propostas pela administração.

À chegada à empresa, em declarações aos jornalistas, Arménio Carlos criticou ainda o Governo por só agora adquirir matéria-prima para a construção de dois navios asfalteiros para a Venezuela.

"A opção do Governo neste momento não está de acordo com aquilo que são os interesses nacionais e da indústria naval, que é viabilizar os estaleiros, construindo os dois asfalteiros", apontou.

Trata-se de uma encomenda de 128 milhões de euros, feita em 2010 e a única ativa nos ENVC, mas que ainda não avançou para a fase de construção.

"Por que razão os dois asfalteiros estão há dois anos para serem construídos e ainda não o foram? E agora já há aço para serem construídos por uma empresa privada", questionou o líder da CGTP.